A decapitação de um jornalista no Médio Oriente tem ocupado um lugar de destaque neste ciclo de notícias.
Acho
que se pode dizer que provocou choque, pelo menos no povo europeu e
norte-americano. Não é uma tarefa facil. A morte está tão banalizada que é necessário
criar algo com impacto. É curioso que um acto comum nas guerras ao longo da História
cause esta reacção. Já não estamos habituados a ver alguém disposto a sujar as
mãos com o sangue daquele que considera inimigo. Fomos educados para reprovar
estas acções. Achamos que são medievais. Provavelmente apoiariamos mesmo uma
condenação severa a soldados do nosso país, ou dos seus aliados, se o fizessem.
A
guerra pode existir sem ser bárbara, sem
magoar para além do necessário. Acredita-se nisso. Estamos muito bem amestrados,
sem dúvida.
Por
isso convivemos bem com drones. Muito mais asépticos. Muito mais modernos. Da
sua câmara HD a 1000 metros de altitude não se pode ver o sangue, nem os corpos
destruídos. De uma sala de comando, a milhares de quilómetros da batalha, não
se sente o cheiro dos corpos queimados nem tão pouco se ouvem os lamentos por
misericórdia. Destroem-se pontos no ecran. Figurantes de um jogo de computador
muito menos realista que os de uma consola de última geração.
Como
será a nossa vida se pilotámos um drone? Deixamos os filhos na escola.
Apanhamos um pouco de transito até ao trabalho. Tomamos um café. Sentamo-nos à
secretária. Matamos 20 pessoas. Outro café porque a manhã está a ser chata.
Mandamos um sms ao nosso melhor amigo para combinar uma cerveja. Matamos 10
pessoas. Vamos almoçar. Baixo em calorias, por favor e coca-cola zero.
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