segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O primeiro dia de um novo Portugal democrático

Ontem tiveram lugar as primeiras eleições primárias de um grande partido político português. Hoje, sem sombra de dúvida, se pode afirmar que o regime político pós PREC mudou significativamente.
Muito se disse e escreveu sobre o modo e a forma como o processo eleitoral interno do PS decorreu; lavou-se muita roupa suja; os candidatos esgrimiram-se numa luta feroz pela sobrevivência: Seguro queria manter a liderança e Costa precisava de garantir a liderança do Partido porque há muito que esqueceu Lisboa.
Hoje vive-se o primeiro dia de um novo Portugal democrático porque Seguro - melhor ou pior - abriu o PS às pessoas. Seguro, vindo da jota, conhecendo todas as manigâncias de como se chega a Secretário Geral sem ter nenhuma ideia mas cheio de votos na carteira, melhor ou pior, colocou a população a escolher quem pretende que concorra pelo PS a Primeiro Ministro.
Parabéns.
Eu acredito que o caminho que o PS tomou neste acto eleitoral é um caminho sem retorno: todas as eleições passarão a ser assim.
No mesmo sentido tenho esperança que as listas às Eleições Legislativas - pelo menos estas! - sigam o mesmo caminho.
Ou seja, tenho esperança que, no futuro, as pessoas possam escolher os deputados que os representam e não apenas o candidato a Primeiro Ministro.
Que as pessoas possam escolher o Senhor Manuel ou a Dr. Adelaide que estão activos nas associações, na Universidade, que são profissionais reconhecidos e com mérito, em vez de votarem num qualquer funcionário de partido que pouco ou nada percebe de Portugal e da vida dos portugueses.
E penso que é urgente que este processo tenha repercussões nos outros partidos, especialmente no PSD e no CDS.
A política deve ser feita das pessoas para as pessoas e deverá ser a população ligada à social democracia que deverá escolher o melhor candidato para combater o candidato que os populares socialistas escolheram e os democratas cristãos e por aí fora.
Pensem em Obama.
Algum dia Obama tinha sido eleito caso não existisse os sistema de primárias?! Algum dia as elites de um partido político escolhiam um afro-americano?!
Se alguém tem dúvida, pensam em quantos descendentes de africanos -  não se esqueçam que Angola, Moçambique, Guine Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe foram colónias portuguesas até há bem pouco tempo - existem no CDS, PSD, PS, BE ou PCP.
Acredito que hoje é o primeiro dia de um novo Portugal democrático.
Acredito que o mérito e a transparência, aos poucos, voltarão.
   

domingo, 28 de setembro de 2014

O primeiro acto de Costa... e o segundo!

"Este cravo é vosso", é um grande gesto, completamente espontâneo. ( Sim, estou a  ser irónico.)
O segundo acto foi admitir que é mais um "jotinha".
Infelizmente Portugal já viu este filme.

Uma dúvida...

( António) Costa vai entrar triunfante no Rato, tal Augusto, depois de cruzar o Rubicão?

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Orwell, sempre Orwell

Orwell, com a Quinta dos Animais, utilizou uma fábula ao estilo de La Fontaine, criticando veemente Estaline e a sua traição à Revolução de 1917.
No livro conta-se que após a tomada de poder por parte dos animais, escreveram-se sete mandamentos:

1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas, ou tenha asas, é amigo.
3. Nenhum animal usará roupas.
4. Nenhum animal dormirá em cama.
5. Nenhum animal beberá álcool.
6. Nenhum animal matará outro animal.

7. Todos os animais são iguais.

Resumidamente, tais mandamentos serviram para legitimar o Animalismo, de onde os porcos seriam os governantes.
Napoleão - personagem baseada em Estaline - e Bola de Neve - simbolizando todos aqueles que sofreram as purgas - governaram a quinta em conflito, até ao dia em Napoleão conseguiu expulsar Bola de Neve. 
A partir daí muito se alterou na quinta e os mandamentos foram alterados para:

4. Nenhum animal dormirá em cama com lençóis.
5. Nenhum animal beberá álcool em excesso.
6. Nenhum animal matará outro animal sem motivo.
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.


No final do livro o único mandamento que subsiste é:

7.Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

Ao ler Orwell não consigo deixar de fazer um paralelismo com os dias de hoje. Bem sei que ele era socialista  - alguns críticos dizem que seria apenas um anarquista - e que a sua ideia seria o combate ao comunismo; tal é bem visível em "Animal Farm" e em "1984".

As democracias, nos dias de hoje, usam mecanismos de controlo sobre a população que, há 60 anos atrás, só se imaginariam numa ditadura: é a monitorização de todos os gastos da população e o cruzamento de dados; é o Ministério das Finanças cobrar coimas excessivas em áreas que não tutela; a actuação sobre o micro e pequeno comércio, fechando-o; a asfixia de liberdade por via da ameaça de desemprego; o confisco do Estado aos rendimentos das famílias e empresas.

Regresso a Orwell sempre que vejo o Estado a entrar por caminhos onde, para mim, social democrata e liberal - dos da Revolta Liberal, não sou dos que se dizem liberais e assumem a cartilha Marxista -, não deveria entrar. E de há dez anos a esta parte, são tantos esses sítios.

Voltando aos mandamentos do Animalismo, tiro a conclusão que os Porcos convencem todos os outros animais a acreditarem neles para os governar dado as suas capacidades de líderes e as promessas de igualdade, fraternidade e liberdade que são transmitidas pelos mandamentos.
Contudo, com o passar do tempo, tais promessas são esquecidas e alteradas, em prol da governação.

Com isto não posso deixar de pensar nas campanhas para as legislativas de 2005, de 2009, 2011 e, pelo que já se ouve de Seguro e Costa, a campanha do próximo ano: prometem prometem prometem mas nunca chegam a cumprir; depois é vê-los com lágrimas de crocodilo e com respostas evasivas.

A par de Eça, Orwell deveria ser introduzido no Plano Nacional de Leitura.


sábado, 13 de setembro de 2014

Almoço no Vouga


Corria o ano de 1970. Nesse dia regressávamos a casa, na Parede, depois de um almoço de funcionários do Rádio Clube Português que se realizara na Praia da Aguda, perto de Miramar. Bom conhecedor do país, o meu tio Armando sugeriu ao meu pai que, em Albergaria-a Velha, fizéssemos um pequeno desvio da Estrada Nacional nº1 para almoçar num restaurante que ele conhecia. O trajecto era relativamente pequeno, meia-dúzia de quilómetros, talvez. Em escassos minutos, o nosso novo Opel Rekord Caravan estava estacionado à porta do mencionado estabelecimento, ao lado do elegante Ford Cortina Mk I do meu tio. Quando saímos dos carros, a primeira admiração proveio da paisagem onde se inseria o edifício. Embora sem qualquer nota arquitectónica que o distinguisse da mediania, encontrava-se ancorado numa posição privilegiada, sobranceira a uma curva do rio Vouga, tendo como cenário o espelho líquido, uma praia fluvial e uma grande ponte de pedra por onde a linha de via-estreita do Vouga cruzava o rio que lhe deu o nome. Era, sem margem para dúvidas, um quadro de extraordinária harmonia e beleza, como que oriundo de um conto de fadas. Sentados em volta de uma mesa que permitia um bom visionamento do exterior, os meus pais e os meus tios dividiram as escolhas entre a Lampreia e a Vitela à moda da região. Enquanto aguardávamos pelos pedidos, a conversava derivou para a linha de comboio que passava ali perto.
- Ainda há locomotivas a vapor – dizia Armando – pois ainda há uns tempos atrás as vi por aqui. É uma linha de via estreita e vai até Viseu, pelas montanhas.
- Já não deve durar muito mais - acrescentou meu pai, sempre pragmático – qualquer dia acabam com o vapor em todo o lado. Há um esforço muito grande para electrificar linhas ou substituir as locomotivas a vapor por máquinas diesel. É o progresso.
Eu assistia fascinado à conversa, olhando para a ponte vazia que vislumbrava a partir das janelas do restaurante. Quando terminou a refeição principal e se deu início ao demorado ritual das sobremesas e do café, pedi autorização para me levantar e ir brincar “lá para fora”. Estranhamente, acederam ao meu pedido, apesar do perigo evidente oferecido pela presença do rio e de um fundão, logo ali, ao pé da margem. Mas naquela época os pais aparentavam viver totalmente desligados destas questões. De facto, nunca compreendi se seria por irresponsabilidade, inconsciência ou, mais provavelmente, devido a viverem numa espécie de “Darwinismo” militante: os filhos mais fortes e desenrascados sobreviveriam aos fracos.
No entanto, estava longe de achar anormal a decisão dos meus pais, habituado que estava à liberdade relativa que me rodeava. A esse propósito, nunca me esqueci o que o meu pai me dizia, de quando em vez:
- Ricardinho, a liberdade conquista-se. Terás mais liberdade à medida que provares merecê-la.
 Com a minha irmã e a minha prima, adolescentes, desci até ao rio e fiquei a brincar numas bateiras de fundo chato que ali estavam atracadas. O meu irmão era ainda muito novo e ficara junto à minha mãe, no restaurante. O meu tio apareceu também, apenas o tempo suficiente para nos tirar uma foto e regressar à mesa.
- Tem atenção, que pode passar o comboio a vapor – avisou-me ele, antes de ir embora.
Estava extasiado com a beleza verdejante que nos rodeava. A ponte, em alvenaria, era muito comprida e possuía 12 arcos de diversas dimensões. Soube posteriormente que o fecho do arco central tinha apenas 90 cm de espessura e que o projecto se devera a um engenheiro francês, de seu apelido Sejourné, contratado pela companhia do Vale do Vouga, de capitais franceses.
Tendo desistido de brincar nos instáveis barcos, entretinha-me a atirar pedrinhas para a água quando ouvi o ruído de um motor, um apito e o vibrar de carris. Para mim não fazia qualquer sentido, pois pressentia a passagem de um comboio e não ouvia o som tradicional de uma locomotiva a vapor, como as que vira em Sines, dois anos antes. Alguns instantes depois, entrou na ponte um estranho veículo azul-escuro, com a forma de um pequeno autocarro, aerodinâmico, com a traseira arredondada e em boa velocidade. Num ápice cruzou a ponte e desapareceu, envolvido pela densa vegetação que envolvia as margens do rio. Fiquei pasmado!
Subi a correr até ao restaurante e fui ter com os crescidos:
- Papá, papá! Viste o comboio que passou?
- Vi pois, filho. Era uma automotora.
- Uma automotora?
- Uma espécie de carruagem com motor, mas realmente nunca tinha visto uma assim tão pequena.
- Aqui perto fica a estação de Sernada, onde são as oficinas e onde se guarda este material – acrescentou o meu tio. Passei por lá no último Rali Tap. É uma estação muito gira.
Voltei para junto do rio, fascinado com o que vira. Nem tinha bem a certeza se era real ou tinha imaginado: “Coisa estranha, um autocarro que anda na linha do comboio”, pensava eu enquanto descia de novo até à margem. As minhas divagações foram interrompidas com um longo apito e o barulho que eu logo reconheci:
- Um comboio a vapor! Vem lá um comboio a vapor – gritava eu enquanto pulava de alegria.
Pouco depois entrava na ponte uma locomotiva articulada, talvez da série E-181, que rebocava um grande comboio misto de mercadorias e passageiros. Seguia na mesma direcção da automotora, isto é, do litoral em direcção às Termas de S. Pedro do Sul e a Viseu. Era nitidamente mais vagarosa, porém muito mais espectacular que o pequeno veículo azul que a antecedera. Fiquei eufórico e jurei, a mim mesmo que, um dia, tinha que ali regressar e descobrir o sítio onde se albergavam estas peças tão extraordinárias.
A viagem de regresso correu como era hábito, através da Estrada Nacional nº1, atrás de velhos e fumegantes camiões, carregados para lá do limite da sensatez, esperando o momento menos mau para ensaiar as ultrapassagens. Não me recordo das conversas nem dos detalhes. Mas recordo-me que fui a pensar na automotora azul em boa parte do tempo.
Tardaria mais de 15 anos para regressar ao mesmo local. Apenas a tempo conhecer uma linha à beira do encerramento, de ver uma automotora azul ferrugenta e abandonada e para assistir às derradeiras actuações das automotoras Allan - dos anos 50 - que anos antes tinham substituído o material “clássico” que tanto me impressionara naquele dia inesquecível. Foi também uma viagem memorável, com as tradicionais curvas e contra-curvas do Vouga que nos levavam através de quintinhas e quintais até à cidade de Viseu. Inesquecível também para o meu irmão, agora com 16 anos, que descobriu a estação de Sernada, após ser violentamente despertado de um sono profundo, pelo balanço da automotora onde viajávamos.
Mas essa já é outra história…

Ricardo Grilo in " Bastão Piloto"

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Toda a verdade


Uma aula com David Justino

Ontem, na Biblioteca Municipal Ferreira de Castro, assisti a uma aula dada pelo Professor David Justino.
O tema da conferência era a transferência de poderes do ministério para as autarquias, a descentralização da gestão das infraestruturas de ensino e a divisão de responsabilidades. Era um assunto técnico - para um leigo como eu - mas explicado de forma extremamente clara pelo ex-ministro, de modo a que todos compreendessem.
Contudo a verdadeira aula foi sobre cidadania, sentido de Estado e liberdade.
Um professor é sempre um professor e a vontade de transmitir conhecimento é inerente a qualquer condição.
David Justino mostrou humildade em vir a Oliveira de Azeméis falar com pais e professores, explicando a organização do sistema de ensino e o que se poderá esperar ( ou não) do sucesso escolar nos próximos anos, fruto das intervenções que têm vindo a ser realizadas.
Disse estar na política apenas e só com o sentido do dever para com a sociedade, ajudando com o que sabe, com o que estudou. Contou que o seu maior desejo, enquanto ministro, era o de voltar à escola e aos alunos.
Os políticos não devem ser profissionais da política; devem ser pessoas livres, com objectivos e projectos, claros,
para a melhoria das condições de vida das populações e devem ter um tempo e um espaço de actuação.
Referiu que, como todos na plateia sabiam, é militante do PSD e foi ministro de Durão Barroso; não trata mal ninguém mas não era por isso que iria estar calado sobre aquilo que ele pensa estar errado.
Por fim pediu às pessoas para analisarem o trabalho dos governantes e a forma como é gasto o erário público.
Perante pessoas com o currículo do Professor David Justino eu sinto-me pequeno porque tenho a noção que tenho muito a aprender.
E perante a análise que fiz à plateia tenho pena que não estivessem presentes mais professores, mais pais, alunos, e, sobretudo, proto-políticos, daqueles que dizem "ou estas 200% comigo ou estas contra mim". Certamente teriam muito a aprender, caso quisessem.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A ignorância era escudo; agora é arma.

Aos pobres de espírito está garantido o reinos dos céus. Pelos visto há muita gente que, por esta via, tenta entrar no paraíso.
Havia pessoas que se escudavam na sua ignorância para permanecerem caladas, para passarem despercebidas pelo meio da sociedade, na esperança que ninguém reparasse nelas e na sua falta de conhecimento.
Hoje eles gritam bem alto, em algo que se assemelha ao português, maravilhados com a sua própria
estupidez.
João Lemos Esteves é o último desta trupe a dar-se a conhecer: misturar futebol com política, com algum sentido, é algo apenas acessível a uma ínfima percentagem da população; e o senhor que escreve no SOL, não faz parte dela.
Lendo esta coisa, fico sem entender se ele percebe menos de futebol ou de política.
Eu, de futebol nada percebo.
Contudo, sei que o PCP e a Albânia têm muito pouco em comum: Mao e Estaline não combinam. Mas isso dava pano para mangas.
Para a próxima, já que Portugal vai jogar com a Sérvia, antiga província da Jugoslávia, aconselho a leitura do um livro " O um dividiu-se em dois", de José Pacheco Pereira.
Eu sei que João Lemos Esteves não gosta de se informar - a exemplo da trupe - e prefere escrever coisas "ao correr da pena" ou ao correr de um outro qualquer interesse; mas evitava uma série de erros colossais.
Aproveito a oportunidade que me deu para, já agora, o aconselhar a não utilizar em excesso os pontos de exclamação. Não dá o toque de humor que pretende, ao texto. Apenas e só o faz parecer um jovem imberbe e mal formado ou um marketeer de quinta categoria.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

"Uma proposta inteligente"

Henrique Monteiro sempre demonstrou ter uma grande dose de inteligência, sabedoria e sensatez; pena que o Senhor Primeiro Ministro não padeça das mesmas qualidades.
Ou então vai-nos pregar uma rasteira a todos.

domingo, 7 de setembro de 2014

Duas perguntas

A mim, que não sou jurista, gostaria que me esclarecessem em duas questões:

Porque é que o o corruptor tem uma pena (bastante) superior ao corrompido, quando é por acção dos dois, e só dos dois, que há corrupção?

O que poderia ter acontecido caso não fosse a gestão desastrosa de Noronha do Nascimento e Pinto Monteiro, e tivessem deixado os juízes do tribunal de Aveiro actuar? 

Nota: eu que tenho memória, lembro-me que actuais figuras gradas da direcção do PSD, aquando se levantaram suspeitas - e apenas isso! - sobre a licenciatura de Sócrates, o Freeport, os esquissos das casinhas, a tentativa de controlo sobre o Público, TVI e SOL, e as negociatas com Vara, disseram que eram  ataques pessoais sem jeito nenhum. Hoje pensam de forma diferente.     

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Renascer

O “O  Meu Pé de Laranja” foi, durante anos, o meu objecto, a minha ferramenta de interacção política com a minha comunidade, especialmente a comunidade web. Além disso serviu, também, de reportório de intervenções fora do ambiente web, como as crónicas no Política Queira Mais, Entre Aspas e discursos proferidos nas mais diversas ocasiões.
Foi criado numa altura em que Manuel Ferreira Leite era líder da Social Democracia em Portugal e contava, entre outros, com pessoas como Pacheco Pereira, Rui Rio ou Paulo Rangel na sua war room.
Foi criado, também, numa altura em que participei activamente na campanha de Hermínio Loureiro à Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, como membro não elegível da sua lista. Através do blog conseguiu dar a minha opinião sobre a cidade a comunidade e a campanha.
Posteriormente, por necessidade de retirar Sócrates do poder – embora, a meu ver, numa altura prejudicial para o PSD – e por amizade à Carla Rodrigues, o blog foi, também, activamente usado na campanha eleitoral de 2011.
Passados cinco anos, a realidade é bem diferente e, por isso, o  “ O Meu Pé de Laranja” não fazia qualquer sentido; associar “laranja” a um blogger que, apesar de militante do PSD, não se revê na postura da actual direcção partidária não me parecia, no mínimo, coerente.
Para o “Café da Estação”, nas últimas semanas, reli textos de autores que acompanhavam a realidade portuguesa. Pessoas que nunca foram socráticas e que sempre olharam com desconfiança para Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas e Marco António Costa. Deram o benefício da dúvida mas, infelizmente para os portugueses, o tempo dá-lhes razão.
Os homens do aparelho tomaram conta dos partidos e, com isso, do país: Passos Coelho, Seguro e Costa. A mesma escola, a mesma forma de agir a mesma dicotomia e relação com as empresas e a comunicação social. A imagem à frente da acção, como se a política pudesse ser uma agência de comunicação em torno do seu líder e não um conjunto de acções em prol da sociedade.
Ainda antes das eleições de 2011, Pacheco Pereira sobre as manifestações de 12 de Março escrevia “ (…) será que a manifestação de 12 de Março afasta do poder as personagens que hoje controlam os aparelhos partidários, controlam secções gigantes cacicadas, estão à frente de sindicatos de voto, e daí retiram poder nacional ou autárquico, controlam as lideranças e as escolhas de lugares, e que são corruptas como quem respira? A resposta é não. Algumas dessas personagens estão já muito contentes à espera do seu lugar de ministro e de secretário de Estado, e os favores que prestam às lideranças que eles próprios fabricam serão certamente pagos.”.
 Viu-se, em tempos, como estes agente actuavam no PSD. Vê-se, agora, como o fazem no PS.
Gladiam-se, insultam-se da pior espécie em nome de um líder. Isso é que está errado: deveria ser em nome de uma causa, de uma ideia. Esta gente insulta-se em nome de uma pessoa que, além do aspecto físico, nada tem de diferente em relação ao seu opositor.
Ouvindo António Barreto no TEDxLisboa, penso que descobrimos parte do problema da política portuguesa: não se discutem opiniões, discutem-se factos.
Os agentes políticos em Portugal passam grande parte do tempo a discutir se tal facto aconteceu ou não, se foi por culpa de A, B ou C, em vez de, dando o facto como consumado, emitirem a sua opinião sobre ele. Aqui se denota como, grande parte das vezes, por incompetência ou por puro oportunismo, políticos, pessoas com responsabilidades, “acham”, “supõem”, “instigam”, e outras afirmações que apenas são possíveis a quem não conhece os números e os factos.
Tal comportamento, por parte dos líderes e das equipas-chave dos principais partidos, demonstra bem como é que tais pessoas chegam ao poder: por conhecerem todos os meandros da hierarquia partidária; e o que fazem quando chegam ao poder: pouco ou mal porque não conhecem o país que existe fora do partido.
Felizmente, a meu ver, há esperança por duas razões. Uma porque “ um fanático esconde sempre uma dúvida secreta, sendo isso uma hipótese para o conseguirmos vencer”. Hoje quem apoia clamorosamente Passos Coelho já apoiou Luís Filipe Menezes, Santana, Durão. O mesmo se passa com quem apoia Costa, já apoiou Seguro, Sócrates, Ferro Rodrigues, Guterres.
Ou seja, os grupos de apoio são comutáveis e sofrem de influência por osmose.
A segunda razão por eu pensar que há esperança chama-se Rui Rio.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Estatística e alimentação

Cara Raquel Varela, o açúcar espanta outros males: as desilusões. Orwell oferece cerveja, gin e marmelada às suas personagens. Qual é a diferença?
Se analisar as estatísticas do INE com base na mediana, vai obter resultados diferentes e certamente mais reais, mostrando as tendências reais de consumo.