E se, no mesmo filme, tivermos Ralph Fiennes, Mathieu Amalric,Willem Dafoe, Harvey Keitel, Bill Murrey, Edward Norton e Jud Law?! Qualquer um deles capaz de se afigurar como actor principal mas que, aqui, vivem na sombra luminosa e cómica de um cada vez maior Ralph Fiennes.
Maravilhosos! Ainda mais numa história "nos Alpes", com cenários retirados de casinhas de brincar e pistas de comboios tão típicos daquelas bandas que o realizador quer que permaneçam imaginárias.
Grand Budapest Hotel, realizado por Wes Anderson, fala de amizade e dever; refere-se a algo tão em voga nos dias de hoje como “experiência de cliente” e que, afinal, é utilizada pelos gentleman: de nascença ( cada vez mais raro), pelos concierge ou os butler, desde o início da sua própria existência.
A cerimónia dos Óscares vai estar ao rubro tal a qualidade de alguns dos filmes que se colocam na primeira fila para vencerem os principais galardões.
O café da estação é a junção de visões dispares sobre o quotidiano, que ora se aproximam ora se afastam. Certamente já viu um blogue que retrata a vida: o que vemos, sentimos, tocamos e cheiramos; o que nos move e comove; aquilo que nos apaixone ou nos revolta. Pode ser política, pode ser cinema ou um copo de vinho. No café da estação, fala-se de tudo!
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
A most wanted man
Acabei agora de ver " A most wanted man". Já tinha lido o romance de Le Carré há alguns anos - dos poucos autores recentes que leio.
Filmar Le Carré é fácil: está tudo lá, desde a história, às personagens, passando pelas as sombras, ou os pormenores; tudo o que é necessário para se fazer um grande filme está escrito de forma minuciosa na sua fonte original. Não é preciso inventar nada. Depois de "Tinker tailor soldier spy", ou " The constant gardener, ou "The Russia house", mais uma vez, saiu um grande filme.
Tem alguns erros de produção, como o Mercedes de Günther ser velho de mais para 2001 ou o Mercedes de Tommy ser recente de mais para 2001, mas que não mancha em nada o que o autor quer transmitir. Antes pelo contrário: o Classe S dos anos 80 projecta Günther Bachmann para o passado que o persegue e o SL novinho em folha de Tommy Brue mostra a classe e a sofisticação de um banqueiro que se quer ver livre do passado escuro da sua família.
Há tudo isto e há interpretações fabulosas de Seymor Hoffman, Rachel McAdams e Willem Dafoe. Ter em papéis secundários actores como Daniel Brüh ou Nina Hoss, "A most wanted man" arrisca-se claramente aos Óscares.
Pode parecer triste a curto prazo mas completamente compreensível a médio/ longo prazo: sair na ribalta, sair na alegria, é a melhor coisa que nos pode acontecer. Foi o que se passou com Seymor Hoffman e, com mais esta brilhante interpretação - a juntar a tantas outras - vai ser para sempre recordado como um dos melhores actores de Hollywood.
Nota: o final não é feliz. É um final real, de um mundo real.
Filmar Le Carré é fácil: está tudo lá, desde a história, às personagens, passando pelas as sombras, ou os pormenores; tudo o que é necessário para se fazer um grande filme está escrito de forma minuciosa na sua fonte original. Não é preciso inventar nada. Depois de "Tinker tailor soldier spy", ou " The constant gardener, ou "The Russia house", mais uma vez, saiu um grande filme.
Tem alguns erros de produção, como o Mercedes de Günther ser velho de mais para 2001 ou o Mercedes de Tommy ser recente de mais para 2001, mas que não mancha em nada o que o autor quer transmitir. Antes pelo contrário: o Classe S dos anos 80 projecta Günther Bachmann para o passado que o persegue e o SL novinho em folha de Tommy Brue mostra a classe e a sofisticação de um banqueiro que se quer ver livre do passado escuro da sua família.
Há tudo isto e há interpretações fabulosas de Seymor Hoffman, Rachel McAdams e Willem Dafoe. Ter em papéis secundários actores como Daniel Brüh ou Nina Hoss, "A most wanted man" arrisca-se claramente aos Óscares.
Pode parecer triste a curto prazo mas completamente compreensível a médio/ longo prazo: sair na ribalta, sair na alegria, é a melhor coisa que nos pode acontecer. Foi o que se passou com Seymor Hoffman e, com mais esta brilhante interpretação - a juntar a tantas outras - vai ser para sempre recordado como um dos melhores actores de Hollywood.
Nota: o final não é feliz. É um final real, de um mundo real.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Ironia das ironias
A resolução do problema do turismo e de transporte de pessoas e mercadorias - vulgo Greve do Pessoal da TAP - foi resolvido pelos neoliberais com uma lei do tempo de algumas ideias que, inconscientemente defendem e que conscientemente repugnam: de Vasco Gonçalves e do Marxismo.Há ironias do caraças, pá!
NOTA: apesar disso considero a solução boa; mas eu não me considero neoliberal nem aplico a cartilha marxista-leninista.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Às quartas com... Pedro Mexia
Pedro Mexia e eu estaremos à conversa sobre "Portugal Diário" na próxima quarta-feira, dia 17,na Biblioteca Municipal Ferreira de Castro, em Oliveira de Azeméis, às 21:30.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
A moral da Igreja
Sou crismado, ou seja, tenho todos os sacramentos excepto três, sendo que só poderei ter mais dois desses três.
Apesar disso não pratico o culto ou entro numa igreja com o intuito da busca divina há muitos anos.
Contudo, nestes tempos conturbados, a Igreja é um refúgio moral. Deverá ser a última barreira que o temor exige.
Vivemos numa crise financeira e económica que se estendeu aos valores sociais e culturais de todo o mundo e, dia após dia, somos informados da pouca ética existente entre os vários DDT.
Aqui a doutrina social da igreja é fundamental e deverá reger a social-democracia e as mais variantes político-filosóficas europeias, assentes na tradição judaico-cristã.
Posto isto, como ateu, leigo, ou que lhe quiserem chamar, sinto-me à vontade para indicar que a leitura completa da Evangelli Gaudium do Papa Francisco é fundamental para os tempos que vivemos.
Uma carta que os sociais-democratas portugueses poderão facilmente associar a Francisco Sá Carneiro, muito embora para alguns isso parece obra da extrema esquerda. Mais uma vez, sinal do tempo em que vivemos; infelizmente.
"Por detrás desta atitude escondem-se a rejeição da ética e a recusa de Deus. Para a ética, olha-se habitualmente com um certo desprezo sarcástico; é considerada contraproducente, demasiado humana, porque relativiza o dinheiro e o poder. É sentida como uma ameaça, porque condena a manipulação e degradação da pessoa. Em última instância, a ética leva a Deus que espera uma resposta comprometida que está fora das categorias do mercado. Para estas, se absolutizadas, Deus é incontrolável, não manipulável e até mesmo perigoso, na medida em que chama o ser humano à sua plena realização e à independência de qualquer tipo de escravidão. A ética – uma ética não ideologizada – permite criar um equilíbrio e uma ordem social mais humana. Neste sentido, animo os peritos financeiros e os governantes dos vários países a considerarem as palavras dum sábio da antiguidade: 'Não fazer os pobres participar dos seus próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida. Não são nossos, mas deles, os bens que aferrolhamos.'"
Apesar disso não pratico o culto ou entro numa igreja com o intuito da busca divina há muitos anos.
Contudo, nestes tempos conturbados, a Igreja é um refúgio moral. Deverá ser a última barreira que o temor exige.
Vivemos numa crise financeira e económica que se estendeu aos valores sociais e culturais de todo o mundo e, dia após dia, somos informados da pouca ética existente entre os vários DDT.
Aqui a doutrina social da igreja é fundamental e deverá reger a social-democracia e as mais variantes político-filosóficas europeias, assentes na tradição judaico-cristã.
Posto isto, como ateu, leigo, ou que lhe quiserem chamar, sinto-me à vontade para indicar que a leitura completa da Evangelli Gaudium do Papa Francisco é fundamental para os tempos que vivemos.
Uma carta que os sociais-democratas portugueses poderão facilmente associar a Francisco Sá Carneiro, muito embora para alguns isso parece obra da extrema esquerda. Mais uma vez, sinal do tempo em que vivemos; infelizmente.
"Por detrás desta atitude escondem-se a rejeição da ética e a recusa de Deus. Para a ética, olha-se habitualmente com um certo desprezo sarcástico; é considerada contraproducente, demasiado humana, porque relativiza o dinheiro e o poder. É sentida como uma ameaça, porque condena a manipulação e degradação da pessoa. Em última instância, a ética leva a Deus que espera uma resposta comprometida que está fora das categorias do mercado. Para estas, se absolutizadas, Deus é incontrolável, não manipulável e até mesmo perigoso, na medida em que chama o ser humano à sua plena realização e à independência de qualquer tipo de escravidão. A ética – uma ética não ideologizada – permite criar um equilíbrio e uma ordem social mais humana. Neste sentido, animo os peritos financeiros e os governantes dos vários países a considerarem as palavras dum sábio da antiguidade: 'Não fazer os pobres participar dos seus próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida. Não são nossos, mas deles, os bens que aferrolhamos.'"
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
A barreira
“– E, se calhar, temos de ponderar sanções jurídicas para os casos em que os poderes que são distribuídos, incluindo ao Tribunal Constitucional, são extravasados.
– Que sanções podiam ser aplicadas ao Tribunal Constitucional?
– Sanções jurídicas.”
"Este fabuloso diálogo é travado numa entrevista ao PÚBLICO por Teresa Leal Coelho, uma das mais próximas deputadas da actual direcção política do PSD de Passos Coelho, que, ao que se saiba, é jurista. Num mundo ideal, como é o da série americana Newsroom, devia seguir-se toda uma outra série de questões ao modelo daquelas que uma jornalista do canal fictício de televisão entendia fazer a Michelle Bachman, congressista americana republicana ligada ao Tea Party, e que dizia que Deus a tinha aconselhado a concorrer a um cargo político: “Como é que soa a voz de Deus?” Neste caso, que “sanções jurídicas” pode ter um tribunal superior pelas suas decisões? Quem as decide? Quem as aplica? Um outro tribunal superior ao superior? O Governo? A ministra da Justiça? O Parlamento? A deputada Teresa Leal Coelho? Deus? Há certamente um problema com os cursos de Direito de algumas faculdades.
Este exemplo e esta citação abrem um outro conjunto de citações tão absurdas e ridículas como perigosas, no início do livro de Jorge Reis Novais, Em Defesa do Tribunal Constitucional. Respostas aos Críticos, editado pela Almedina e que tive o gosto, junto com Marcelo Rebelo de Sousa, de apresentar. É um livro de um professor de Direito, legível por todos, cheio de humor e boa irritação, no bom sentido weberiano da empatia que percorre a melhor ciência.
Reis Novais não pretendeu escrever um livro político, mas um estudo jurídico que tem naturalmente implicações políticas. Não me pronunciarei sobre a parte jurídica, para que não tenho competência, mas discutirei por que razão este livro é muito importante para perceber os tempos em que vivemos. O livro ficará entre os poucos que permitem elucidar estes anos de crise, sem ser apenas pela perspectiva da economia que é o tema dominante da literatura e ensaística neste período.
Vale a pena lê-lo e pensar sobre o que lá está dito, porque o ataque ao Tribunal Constitucional será uma ou das poucas marcas permanentes que sobreviverão aos actuais governantes, em que o desgaste das instituições é muito fácil de fazer em anos de perda colectiva, em que a procura de bodes expiatórios encontra sempre os seus corifeus e legitimadores. Entre eles, Teresa Leal Coelho e Passos Coelho estão na parte de baixo da cadeia alimentar, que neste caso se estende para cima, para aqueles que na Comissão Europeia e no FMI (e os seus repetidores portugueses) entendem que o Tribunal Constitucional alemão é intocável e o português uma atrapalhação desfasada da “realidade”, caduca e cediça, uma qualquer “brigada” do passado, como os mais malcriados membros do Governo costumam designar quem se lhes opõe.
No topo dessa cadeia, estão alguns juristas e professores de Direito que apareceram com toda uma teorização legitimadora e, no fundo, meramente utilitária, da crítica ao Tribunal Constitucional, desenvolvida quase sempre depois das decisões desse tribunal que travaram algumas medidas governamentais e não antes. Como Marcelo Rebelo de Sousa notou na apresentação do livro, alguns dos mais nacionalistas e críticos da União Europeia, passaram a ser abnegados defensores da supremacia do Direito europeu sobre a Constituição Portuguesa. No fundo, como em muitas coisas em Portugal, nestes tempos de bizarra “luta de classes”, ou se está com “eles” ou contra “eles”.
O objectivo do livro de Jorge Reis Novais não é analisar o conteúdo e valor jurídico das decisões do Tribunal Constitucional, com que o autor muitas vezes discorda, mas o papel, a importância e a necessidade do próprio tribunal, e por essa via perceber o valor da Constituição em tempos de crise. Dois capítulos são particularmente interessantes: aqueles em que o autor discute o “estado de emergência financeira como pretenso estado de excepção constitucional” e outro sobre a justiça constitucional e a integração europeia, tratando dos argumentos que consideram que a nossa Constituição está ultrapassada ou submetida ao Direito europeu. Quase todo argumentário de ataque ao Tribunal Constitucional cabe nestes dois capítulos.
O ataque ao Tribunal Constitucional não estava no programa da actual maioria, embora estivesse uma profunda alteração da Constituição. Uma coisa levaria à outra, mas não foi imediata, até porque o PSD estava convencido de que os juízes que nomeara se prestavam a julgar como militantes partidários e não como juízes. Enganou-se e fez mais tarde a autocrítica amarga que “não os tinha escolhido bem”. Como acontece muitas vezes com o tipo de políticos do género de Passos Coelho, o percurso e a importância de uma revisão constitucional, que exigia a colaboração do PS, variou. O projecto de Paulo Teixeira Pinto era tão radical, e tão hostil ao património social-democrata, que foi rapidamente abandonado, com Passos Coelho num congresso do PSD a negá-lo com afirmações de fé social-democrata. Como sempre, o dia de hoje faz esquecer o dia de ontem.
Como é costume, a coisa não iria durar muito, e passou-se da questão da Constituição para a questão do Tribunal Constitucional. Não é a mesma coisa e não tem os mesmos riscos para a democracia, porque as opiniões sobre a Constituição são livres no sistema político, mas o ataque à autoridade de um tribunal e o permanente jogo no limite de apresentar as mesmas medidas disfarçadas de outras ou de apresentar medidas que já se sabia serem inconstitucionais para atirar para o tribunal o ónus das dificuldades da governação, é um jogo muito perigoso. O segundo pilar da democracia, o primado do direito, foi claramente posto em causa por um Governo que hipervalorizava o primeiro, a soberania popular pelo voto.
Na verdade, a afirmação reiterada de que o Governo, mesmo que não concordasse com as decisões do tribunal, as cumpria, não basta para se poder afirmar que houvesse um pleno primado do direito, porque os múltiplos efeitos perversos das várias atitudes do Governo e também do Presidente, objectivamente deslegitimavam o tribunal e o valor da Constituição. O Presidente permaneceu silencioso perante atitudes inaceitáveis de pressão e mesmo insulto sobre o tribunal, um caso de funcionamento irregular das instituições e, como nota Reis Novais, não enviou para o tribunal um Orçamento que sabia ser inconstitucional e enviou outro que entendia ser constitucional, porque o Governo lhe pediu. O Governo, numa atitude bem pouco patriótica, usou o Tribunal Constitucional perante a troika, para explicar alguns dos seus falhanços, e aceitou, com satisfação, ver esses argumentos repetidos em relatórios da Comissão ou do FMI.
O conflito crescente do Governo e da maioria com o Tribunal Constitucional tem a ver com o modelo de “ajustamento” seguido (insisto, um entre vários possíveis), assente num alvo, a classe média, e no saque fiscal aos rendimentos de trabalho, nos cortes a salários e pensões, violando contratos de um determinado tipo e desequilibrando relações de equidade e confiança. O choque era inevitável.
Mas o que os críticos do Tribunal Constitucional nunca lembram é que podiam ter sido outros os alvos do “ajustamento”. Um outro Governo poderia ter seguido outro modelo, podia inclusive obter os recursos de que precisava com confiscos de bens, nacionalizações, a violação de outro tipo de contratos, os “blindados”, ou seja, atacando a propriedade. Aí, também o Tribunal Constitucional, e bem, travaria um Governo que prosseguisse nessa via porque violaria a Constituição portuguesa. Nessa altura, seria, para os actuais críticos, um herói, uma última barreira contra a barbárie expropriadora e, quiçá, o comunismo. Não se ouviriam críticas, mas elogios.
É esta barreira que Jorge Reis Novais quer defender no seu livro e fá-lo com muita eficácia. Vale a pena ler."
José Pacheco Pereira in Abrupto
– Que sanções podiam ser aplicadas ao Tribunal Constitucional?
– Sanções jurídicas.”
"Este fabuloso diálogo é travado numa entrevista ao PÚBLICO por Teresa Leal Coelho, uma das mais próximas deputadas da actual direcção política do PSD de Passos Coelho, que, ao que se saiba, é jurista. Num mundo ideal, como é o da série americana Newsroom, devia seguir-se toda uma outra série de questões ao modelo daquelas que uma jornalista do canal fictício de televisão entendia fazer a Michelle Bachman, congressista americana republicana ligada ao Tea Party, e que dizia que Deus a tinha aconselhado a concorrer a um cargo político: “Como é que soa a voz de Deus?” Neste caso, que “sanções jurídicas” pode ter um tribunal superior pelas suas decisões? Quem as decide? Quem as aplica? Um outro tribunal superior ao superior? O Governo? A ministra da Justiça? O Parlamento? A deputada Teresa Leal Coelho? Deus? Há certamente um problema com os cursos de Direito de algumas faculdades.
Este exemplo e esta citação abrem um outro conjunto de citações tão absurdas e ridículas como perigosas, no início do livro de Jorge Reis Novais, Em Defesa do Tribunal Constitucional. Respostas aos Críticos, editado pela Almedina e que tive o gosto, junto com Marcelo Rebelo de Sousa, de apresentar. É um livro de um professor de Direito, legível por todos, cheio de humor e boa irritação, no bom sentido weberiano da empatia que percorre a melhor ciência.
Reis Novais não pretendeu escrever um livro político, mas um estudo jurídico que tem naturalmente implicações políticas. Não me pronunciarei sobre a parte jurídica, para que não tenho competência, mas discutirei por que razão este livro é muito importante para perceber os tempos em que vivemos. O livro ficará entre os poucos que permitem elucidar estes anos de crise, sem ser apenas pela perspectiva da economia que é o tema dominante da literatura e ensaística neste período.
Vale a pena lê-lo e pensar sobre o que lá está dito, porque o ataque ao Tribunal Constitucional será uma ou das poucas marcas permanentes que sobreviverão aos actuais governantes, em que o desgaste das instituições é muito fácil de fazer em anos de perda colectiva, em que a procura de bodes expiatórios encontra sempre os seus corifeus e legitimadores. Entre eles, Teresa Leal Coelho e Passos Coelho estão na parte de baixo da cadeia alimentar, que neste caso se estende para cima, para aqueles que na Comissão Europeia e no FMI (e os seus repetidores portugueses) entendem que o Tribunal Constitucional alemão é intocável e o português uma atrapalhação desfasada da “realidade”, caduca e cediça, uma qualquer “brigada” do passado, como os mais malcriados membros do Governo costumam designar quem se lhes opõe.
No topo dessa cadeia, estão alguns juristas e professores de Direito que apareceram com toda uma teorização legitimadora e, no fundo, meramente utilitária, da crítica ao Tribunal Constitucional, desenvolvida quase sempre depois das decisões desse tribunal que travaram algumas medidas governamentais e não antes. Como Marcelo Rebelo de Sousa notou na apresentação do livro, alguns dos mais nacionalistas e críticos da União Europeia, passaram a ser abnegados defensores da supremacia do Direito europeu sobre a Constituição Portuguesa. No fundo, como em muitas coisas em Portugal, nestes tempos de bizarra “luta de classes”, ou se está com “eles” ou contra “eles”.
O objectivo do livro de Jorge Reis Novais não é analisar o conteúdo e valor jurídico das decisões do Tribunal Constitucional, com que o autor muitas vezes discorda, mas o papel, a importância e a necessidade do próprio tribunal, e por essa via perceber o valor da Constituição em tempos de crise. Dois capítulos são particularmente interessantes: aqueles em que o autor discute o “estado de emergência financeira como pretenso estado de excepção constitucional” e outro sobre a justiça constitucional e a integração europeia, tratando dos argumentos que consideram que a nossa Constituição está ultrapassada ou submetida ao Direito europeu. Quase todo argumentário de ataque ao Tribunal Constitucional cabe nestes dois capítulos.
O ataque ao Tribunal Constitucional não estava no programa da actual maioria, embora estivesse uma profunda alteração da Constituição. Uma coisa levaria à outra, mas não foi imediata, até porque o PSD estava convencido de que os juízes que nomeara se prestavam a julgar como militantes partidários e não como juízes. Enganou-se e fez mais tarde a autocrítica amarga que “não os tinha escolhido bem”. Como acontece muitas vezes com o tipo de políticos do género de Passos Coelho, o percurso e a importância de uma revisão constitucional, que exigia a colaboração do PS, variou. O projecto de Paulo Teixeira Pinto era tão radical, e tão hostil ao património social-democrata, que foi rapidamente abandonado, com Passos Coelho num congresso do PSD a negá-lo com afirmações de fé social-democrata. Como sempre, o dia de hoje faz esquecer o dia de ontem.
Como é costume, a coisa não iria durar muito, e passou-se da questão da Constituição para a questão do Tribunal Constitucional. Não é a mesma coisa e não tem os mesmos riscos para a democracia, porque as opiniões sobre a Constituição são livres no sistema político, mas o ataque à autoridade de um tribunal e o permanente jogo no limite de apresentar as mesmas medidas disfarçadas de outras ou de apresentar medidas que já se sabia serem inconstitucionais para atirar para o tribunal o ónus das dificuldades da governação, é um jogo muito perigoso. O segundo pilar da democracia, o primado do direito, foi claramente posto em causa por um Governo que hipervalorizava o primeiro, a soberania popular pelo voto.
Na verdade, a afirmação reiterada de que o Governo, mesmo que não concordasse com as decisões do tribunal, as cumpria, não basta para se poder afirmar que houvesse um pleno primado do direito, porque os múltiplos efeitos perversos das várias atitudes do Governo e também do Presidente, objectivamente deslegitimavam o tribunal e o valor da Constituição. O Presidente permaneceu silencioso perante atitudes inaceitáveis de pressão e mesmo insulto sobre o tribunal, um caso de funcionamento irregular das instituições e, como nota Reis Novais, não enviou para o tribunal um Orçamento que sabia ser inconstitucional e enviou outro que entendia ser constitucional, porque o Governo lhe pediu. O Governo, numa atitude bem pouco patriótica, usou o Tribunal Constitucional perante a troika, para explicar alguns dos seus falhanços, e aceitou, com satisfação, ver esses argumentos repetidos em relatórios da Comissão ou do FMI.
O conflito crescente do Governo e da maioria com o Tribunal Constitucional tem a ver com o modelo de “ajustamento” seguido (insisto, um entre vários possíveis), assente num alvo, a classe média, e no saque fiscal aos rendimentos de trabalho, nos cortes a salários e pensões, violando contratos de um determinado tipo e desequilibrando relações de equidade e confiança. O choque era inevitável.
Mas o que os críticos do Tribunal Constitucional nunca lembram é que podiam ter sido outros os alvos do “ajustamento”. Um outro Governo poderia ter seguido outro modelo, podia inclusive obter os recursos de que precisava com confiscos de bens, nacionalizações, a violação de outro tipo de contratos, os “blindados”, ou seja, atacando a propriedade. Aí, também o Tribunal Constitucional, e bem, travaria um Governo que prosseguisse nessa via porque violaria a Constituição portuguesa. Nessa altura, seria, para os actuais críticos, um herói, uma última barreira contra a barbárie expropriadora e, quiçá, o comunismo. Não se ouviriam críticas, mas elogios.
É esta barreira que Jorge Reis Novais quer defender no seu livro e fá-lo com muita eficácia. Vale a pena ler."
José Pacheco Pereira in Abrupto
sábado, 29 de novembro de 2014
Cependant...
Sempre tive "Os Maias" como a grande obra da literatura portuguesa. Foi Eça que nos colocou a escrever e a pensar como sociedade, com os seus vícios e virtudes (raras).De há dezassete ou dezoito anos a esta parte, imagino Maria Eduarda com a beleza rara das neves de antanho: por mais que se tente, nunca ninguém as viu.
Entretanto, quando andava pelo Egipto, parece que o país chic a valer deu de si. Mas alguém ficou surpreendido?!
domingo, 23 de novembro de 2014
A culpa não é de Sócrates. É nossa
"Isto não tinha ser assim. Não tínhamos de ver um antigo primeiro-ministro a ser levado dentro de um carro pela polícia. Não tínhamos de ver o circo montado novamente à porta do DCIAP. Não tínhamos de assistir mais uma vez aos políticos a perderem a face perante a justiça. Mas os portugueses quiseram que fosse assim. E tanto quiseram que em 2009, indiferentes ao que já se sabia sobre a actuação de Sócrates no Freeport e muito particularmente nessa vergonha nacional que foi o processo de licenciamento e construção da central de tratamentos de lixos da Cova da Beira, 2 077 695 eleitores lhe deram o seu voto para que continuasse como primeiro-ministro. É certo que o PS perdeu então a maioria absoluta mas note-se que não se pode falar de desastre eleitoral: em 2005, ano da grande vitória de Sócrates, o PS tivera 2 588 312. Que Sócrates continuasse a obter mais de dois milhões de votos depois do que sucedera entre 2005 e 2009 diz muito sobre a nossa alienação de valores.
Aos olhos e ouvidos dos eleitores portugueses, tudo aquilo que em 2009 já se sabia sobre Sócrates – e era muito – a par do fascínio crescente e perigoso que este manifestava por um Estado agente de negócios não foi suficiente para que não lhe dessem maioritariamente o seu voto. Eram os tempos em que a líder da oposição era ridicularizada como “a velha” pela milícia dos assessores socráticos devidamente corroborados pelo riso escarninho dos humoristas de serviço a quem, vá lá saber-se porquê, Sócrates nunca inspirou muitas críticas. Eram os tempos em que criticar Sócrates valia telefonemas aos gritos para os autores desses textos (e sei do que falo por experiência própria) logo apelidados na mais bonançosa das versões como tremendistas, derrotistas e bota-abaixistas. Eram os tempos em que nada parecia possível ser feito em Portugal contra a vontade de Sócrates. Em que, por exemplo, nenhuma editora, que por essa época tudo editavam, quis publicar a investigação – e tratava-se de uma verdadeira investigação e não de palpites – que um blogue, o Do Portugal Profundo, fizera sobre a licenciatura do então primeiro-ministro. E sobretudo eram os tempos em que se arreigou na sociedade portuguesa esse perverso princípio de que o direito penal substituíra a moral.
Sentados em estúdios de televisão, rádio, nos jornais, blogues… todos os dias dirigentes socialistas e seus compagnons de route repetiam que tendo sido encerrados os processos e investigações só por má-fé se poderia questionar a licenciatura domingueira de Sócrates, a novela das suas duas fichas na Assembleia da República, os projectos para as casas da Covilhã, a nomeação para o Eurojust do procurador sobre o qual recaíra a suspeita de ter transmitido informações processuais a Fátima Felgueiras, o Freeport, a Cova da Beira…
Em Portugal passou então a vigorar o dogma de que não há diferença entre responsabilidade política e responsabilidade criminal. E exactamente os mesmos que tanto contribuíram para a impunidade de que gozou José Sócrates já começaram na velha técnica das cabalas: devia ser detido à noite? Porque não foi detido em casa? Que estranha coincidência, ser detido na véspera de António Costa ser reconhecido como secretário-geral do PS… Deixemo-nos de contorcionismos: não há dia ou hora adequados para prender um ex-primeiro ministro porque em todos os dias e a todas as horas a detenção de quem teve tais responsabilidades terá sempre consequências políticas. Por exemplo, o que vai António Costa, que entretanto divulgou uma primeira declaração equilibrada sobre este caso, fazer com o homem que escolheu para líder parlamentar, Ferro Rodrigues? Ferro Rodrigues continua sem perceber duas coisas essenciais: primeiro, um partido de bem não pode alimentar a nostalgia por um político com o perfil institucional de Sócrates, (sublinho que falo de pefil institucional e não de questões criminais). Segundo, Portugal é uma democracia onde não há partidos acima da lei e não um regime democrático tutelado pelo PS. Como em todos os processos que envolvem poder económico e político haverá quem aposte na confusão. Lembram-se do processo Casa Pia em que acabámos a não distinguir os pedófilos das vítimas, a justiça do abuso e a verdade da mentira? (Esperemos apenas que à actual PGR não esteja reservado o mesmo calvário que a Souto Moura).
Falam agora os políticos na possibilidade de uma república de juízes. Agora é tarde para o fazerem, “Inês é morta”. É de facto uma visão dantesca essa de uma república de juízes mas foram eles, os políticos, e neste caso particularmente os do PS, ao pôr de lado a moral e ao centrar tudo no avanço da justiça, ou mais precisamente na sua capacidade de fazer arquivar os processos, quem sentou um dos seus, Sócrates, no banco traseiro daquele carro utilitário que o levou do aeroporto até ao DCIAP. E foram os portugueses, enquanto eleitores, sancionando o comportamento de Sócrates, dando-lhe a vitória em 2009, quem depositou Portugal na mão das polícias e dos juízes.
Na vida nunca se volta atrás e na política muito menos. Por isso aqui estamos no beco a que nos conduzimos: se Sócrates provar a sua inocência ficamos a com a justiça descredibilizada. Se Sócrates for culpado estamos perante um problema político. Mas deste dilema os únicos culpados somos nós. E não Sócrates."
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quarta-feira, 5 de novembro de 2014
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Discurso proferido na homenagem a José Leite
Oliveira de Azeméis, 7 de Outubro de 2014
Meus Caros Amigos,
Vamo-nos tratar assim porque hoje, aqui, estamos apenas amigos: do Zé e do Rotary.
Antes de começar tenho que fazer uma confissão: a mim, que até gosto de falar em público e de fazer apresentações, custou-me imenso escrever umas palavras sobre o Zé.
Por tudo isso recordei imensas vivências de infância, do tempo da Escola da Leninha, de brincarmos na Rua dos Jeitos, nas noites de Verão, enquanto os nossos pais estavam no Doce Convívio. Do basket e das fervorosas claques no pavilhão da Escola Bento Carqueja e, depois, no pavilhão da UDO. Tive saudades de uma Oliveira de Azeméis que já está longe; os miúdos já não brincam na rua
.
Por falar em memórias, para falar do Zé, começo por contar duas estórias que, penso, me ajudarão a partilhar convosco o porquê do Rotary Club de Oliveira de Azeméis agraciar, este ano, o José Leite como Profissional do Ano.
No final dos anos 90, passei pelo Zé na rua do Campo Alegre, mais ou menos em frente à Duvália. Estava com um grupo de amigos ou colegas, eles de camera ao ombro e o Zé de micro na mão. Certamente estariam a fazer uma reportagem para a futura NTV ou algo parecido.
Apesar de conhecer o Zé desde miúdo, nessa altura a diferença de idades fazia-se notar. Contudo, ele veio cumprimentar-me e perguntar se estava tudo bem; com a humildade que sempre o caracterizou.
Anos mais tarde, em 2007, quando já estava na RTP, encontramo-nos no paddock do Circuito da Boavista. Era a abertura do circuito aos carros modernos e a vinda do WTCC a Portugal; Tiago Monteiro assumia um papel fundamental em todo este processo porque tinha trocado a F1 pelos carros de turismo e iria correr na prova caseira. Toda a comunicação social estava interessada no que se iria passar no Porto durante essas duas semanas.
Aí perguntou-me qual era a minha opinião do circuito e coisas mais técnicas das corridas. Passadas umas horas, com uma cara de um miúdo a quem se dá um peluche maior que ele, veio-me contar que tinha ido dar umas voltas ao lado do Tiago, no carro de convidados da Seat. Certamente uma experiência de que se irá recordar por muitos anos!
Contei estes dois episódios porque demonstram bem o espírito rotário que o Zé tem, apesar de não pertencer ao Rotary: um gosto pela sua profissão, a comunicação, que o levou a querer evoluir de "O Baloiço" da Rádio Clube de Azeméis – que apresentava com a Daniela e que eu, no outro dia, vi uma foto giríssima deles – até à RTP.
A par disto não me posso esquecer da Guida e do Emanuel, pela educação que lhe proporcionaram: com liberdade e, ao mesmo tempo, sentido de responsabilidade. Daí a humildade, amizade e cidadania que o caracteriza.
O Zé teve um percurso académico e profissional que a todos nós muito nos honra, de constante evolução e aprendizagem que começou aos 6 anos na Rádio Clube de Azeméis, tendo depois continuidade na Voz de Azeméis. Com o curso de jornalismo na Escola Superior de Jornalismo do Porto veio a colaboração com o JUP e a fundação da revista literária “Águas Furtadas”. Em 1999 estagiou no jornal O Motor e no Norte Desportivo. No início do ano 2000 trabalhou na empresa de comunicação Longo Alcance. Também em 2000 foi jornalista fundador do projecto de televisão NTV. Em 2003 ingressou na RTP, até ao presente.
O Rotary Club de Oliveira de Azeméis homenageia o José Leite como Profissional do Ano 2014 pelo seu percurso profissional e humano.
Muito nos honra termos uma pessoa assim entre nós.
Obrigado Zé.
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
terça-feira, 14 de outubro de 2014
American Hustle
Já andava há imenso tempo para ver American Hustler. Um filme de David O. Russell, com um dos meus actores fetiche: Christian Bale; os outros são Gary Oldman, Ralph Fiennes, Benedict Cumberbatch, Brad Pitt, não necessariamente por esta ordem ou por ordem alguma.
Uma história de vigaristas e da máfia, de licenças de construção e de jogo, de árabes e hispânicos, de estórias desesperadas; com uma banda sonora soberba, muito 70`s, tal como tudo o resto.
Amy Adams e Jennifer Lawrence, líndissimas, sensuais, altamente decotadas em micro vestidos, ao som de Mayssa Kaara.
E Bradley Cooper, Jeremy Renner e o grande Robert de Niro.
Um hino ao cinema.
Uma história de vigaristas e da máfia, de licenças de construção e de jogo, de árabes e hispânicos, de estórias desesperadas; com uma banda sonora soberba, muito 70`s, tal como tudo o resto.
Amy Adams e Jennifer Lawrence, líndissimas, sensuais, altamente decotadas em micro vestidos, ao som de Mayssa Kaara.
E Bradley Cooper, Jeremy Renner e o grande Robert de Niro.
Um hino ao cinema.
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Como é?!
Sobre umas declarações de Nuno Crato voltar à universidade, Passos Coelho referiu que isso iria acontecer mas mais para a frente.Nuno Crato vai voltar à universidade para continuar a sua brilhante carreira académica.
Passos Coelho vai ter o mesmo destino: a universidade. Contudo será para receber aulas.
Será que o aumento do IVA, IRC, IRS, congelamento de salários e outras maravilhas "da austeridade" são, para os lados de S.Bento, um incentivo ao consumo?!
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Golpe Palaciano?
Após a vitória esmagadora de António Costa contra o candidato ideal para o PSD - Seguro -, as hostes laranjas andam muito agitadas.
A direcção, e quem com ela está, tenta evitar a todo o custo que Rui Rio e os seus apoiantes decidam avançar. Muitos têm receio que PSD realize primárias, a exemplo do PS, e que, com isso, com a população social-democrata a votar no candidato a candidato a Primeiro Ministro, Passos Coelho e os seus sejam corridos de todos os cargos.
Nos argumentos que utilizam podemos ouvir coisas como: não somos como o PS, criticamos o PS e fazemos igual, será um golpe palaciano ou um golpe de estado.
São argumentos válidos e, ao mesmo tempo, tristes.
Válidos porque o que é importante para o país e para o PSD é que Passos Coelho, altamente desgastado e sem espaço de manobra e ideias válidas, se afaste.
Tristes porque, como todos sabemos, isto é estratégia.
Para melhor perceberem, deixo-vos aqui um caso.
Ainda Manuela Ferreira Leite era líder do PSD e preparava-se para disputar com Sócrates o lugar de Primeiro Ministro e já Passos Coelho, Relvas e muitos outros queriam ocupar o poder.
Se o líder do PSD era Ferreira Leite, se o PSD ganhasse as eleições legislativas de 2009, Passos Coelho, na melhor das hipóteses, apenas poderia chegar a líder em 2013, caso o PSD perdesse as legislativas desse ano. Se assim fosse, Passos chegaria a Primeiro Ministro em 2017.
Para tal não acontecer era necessário, em primeiro lugar, que Ferreira Leite perdesse as eleições.
Em segundo, que existisse uma aliança com Menezes/ Marco António Costa e Santana Lopes para conseguirem derrotar Paulo Rangel, ludibriando Aguiar Branco.
Em terceiro, que a comunicação social, opinion makers e spin doctors entrassem no projecto.
O resultado é o que temos hoje.
Posto isto, quando ouço alguém falar em golpes palacianos para colocar Rui Rio na presidência do partido acho triste e só me apetece rir. Rir porque chorando não resolvia nada.
P.S.: obrigado Fernando Moreira de Sá.
A direcção, e quem com ela está, tenta evitar a todo o custo que Rui Rio e os seus apoiantes decidam avançar. Muitos têm receio que PSD realize primárias, a exemplo do PS, e que, com isso, com a população social-democrata a votar no candidato a candidato a Primeiro Ministro, Passos Coelho e os seus sejam corridos de todos os cargos.
Nos argumentos que utilizam podemos ouvir coisas como: não somos como o PS, criticamos o PS e fazemos igual, será um golpe palaciano ou um golpe de estado.
São argumentos válidos e, ao mesmo tempo, tristes.
Válidos porque o que é importante para o país e para o PSD é que Passos Coelho, altamente desgastado e sem espaço de manobra e ideias válidas, se afaste.
Tristes porque, como todos sabemos, isto é estratégia.
Para melhor perceberem, deixo-vos aqui um caso.
Ainda Manuela Ferreira Leite era líder do PSD e preparava-se para disputar com Sócrates o lugar de Primeiro Ministro e já Passos Coelho, Relvas e muitos outros queriam ocupar o poder.
Se o líder do PSD era Ferreira Leite, se o PSD ganhasse as eleições legislativas de 2009, Passos Coelho, na melhor das hipóteses, apenas poderia chegar a líder em 2013, caso o PSD perdesse as legislativas desse ano. Se assim fosse, Passos chegaria a Primeiro Ministro em 2017.
Para tal não acontecer era necessário, em primeiro lugar, que Ferreira Leite perdesse as eleições.
Em segundo, que existisse uma aliança com Menezes/ Marco António Costa e Santana Lopes para conseguirem derrotar Paulo Rangel, ludibriando Aguiar Branco.
Em terceiro, que a comunicação social, opinion makers e spin doctors entrassem no projecto.
O resultado é o que temos hoje.
Posto isto, quando ouço alguém falar em golpes palacianos para colocar Rui Rio na presidência do partido acho triste e só me apetece rir. Rir porque chorando não resolvia nada.
P.S.: obrigado Fernando Moreira de Sá.
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terça-feira, 7 de outubro de 2014
A ler...
Encontrei este artigo na web.
Fala de " Fóruns e redes da sociedade civil: percepções sobre exclusão social e cidadania ", e é escrito por Ilse Scherer-Warren, Professora do Departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal de Santa Catarina, Coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Movimentos Sociais da mesma universidade (NPMS-UFSC) e Pesquisadora 1 A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq.
Aconselho a leitura e, resumindo, fala sobre as novas redes de contacto e os seus contributos para a cidadania.
Ou seja, como é que grupos organizados em classes profissionais - como sindicatos e/ ou corporações - estão cada vez mais em decréscimo versus grupos organizados por pessoas com interesses diferentes, vidas diferentes mas que, a bem da equidade, se cruzam e contribuem para uma melhor cidadania.
Nesses grupos podemos pensar no Rotary, na Maçonaria, no Priorado de Sião, no Fórum Cidadania e Sociedade, na plataforma Uma Agenda para Portugal, etc..
Fala de " Fóruns e redes da sociedade civil: percepções sobre exclusão social e cidadania ", e é escrito por Ilse Scherer-Warren, Professora do Departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal de Santa Catarina, Coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Movimentos Sociais da mesma universidade (NPMS-UFSC) e Pesquisadora 1 A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq.
Aconselho a leitura e, resumindo, fala sobre as novas redes de contacto e os seus contributos para a cidadania.
Ou seja, como é que grupos organizados em classes profissionais - como sindicatos e/ ou corporações - estão cada vez mais em decréscimo versus grupos organizados por pessoas com interesses diferentes, vidas diferentes mas que, a bem da equidade, se cruzam e contribuem para uma melhor cidadania.
Nesses grupos podemos pensar no Rotary, na Maçonaria, no Priorado de Sião, no Fórum Cidadania e Sociedade, na plataforma Uma Agenda para Portugal, etc..
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
"Os gatos não têm vertigens"
Acabo de ver "Os gatos não têm vertigens", de António-Pedro Vasconcelos. Não fosse o final cinematográfico, feliz, era um filme real, franco. Bem filmado, bem realizado, com uma excelente interpretação de Maria do Céu Guerra. Um filme feito de pessoas para pessoas.São velhos abandonados, jovens mal formados e sem futuro, uma classe média outrora informada mas que se transformou num poço de egoísmo, triste, que conta os poucos tostões que ainda sobram. São "putas a mais e clientes a menos".
É um filme do país real.
Ao ver o filme não pode deixar de pensar no discurso que Cavaco Silva proferiu no 5 de Outubro.
Um discurso que, a exemplo do filme, é de quem conhece bem o país e os portugueses, um discurso que alerta para o perigo do marasmo e do buraco onde colocaram as pessoas.
Um discurso de alerta, de simples compreensão para quem o quer compreender. Um discurso que aponta um caminho: ir buscar os melhores e os mais capazes.
Contudo, de há tempos a esta parte, é fácil bater em Cavaco; e desconfio que há quem o faça por prazer.
Não entendo quem critica o discurso, da esquerda à direita.
Ou entendo: estão tão ocupados com o seu ego que não têm tempo para olharem em volta, não têm tempo para perceber que a política é feita para as pessoas e não para o objectivo pessoal de cada um. Não entendem que a política não é feita para garantir o emprego do governante mas os empregos das populações.
Tenho pena que Passos e Costa - especialmente estes dois - não tenham percebido o discurso do Presidente. ( Há elogios tão ocos e tão sem sentido que é uma vergonha acontecerem...).
Tenho pena que estes dois nos tenham colocado no buraco onde nos encontramos e não façam a mais pálida ideia de como nos tirar daqui.
Enquanto isso, nós não podemos ter vertigens.
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segunda-feira, 29 de setembro de 2014
O primeiro dia de um novo Portugal democrático
Ontem tiveram lugar as primeiras eleições primárias de um grande partido político português. Hoje, sem sombra de dúvida, se pode afirmar que o regime político pós PREC mudou significativamente.Muito se disse e escreveu sobre o modo e a forma como o processo eleitoral interno do PS decorreu; lavou-se muita roupa suja; os candidatos esgrimiram-se numa luta feroz pela sobrevivência: Seguro queria manter a liderança e Costa precisava de garantir a liderança do Partido porque há muito que esqueceu Lisboa.
Hoje vive-se o primeiro dia de um novo Portugal democrático porque Seguro - melhor ou pior - abriu o PS às pessoas. Seguro, vindo da jota, conhecendo todas as manigâncias de como se chega a Secretário Geral sem ter nenhuma ideia mas cheio de votos na carteira, melhor ou pior, colocou a população a escolher quem pretende que concorra pelo PS a Primeiro Ministro.
Parabéns.
Eu acredito que o caminho que o PS tomou neste acto eleitoral é um caminho sem retorno: todas as eleições passarão a ser assim.
No mesmo sentido tenho esperança que as listas às Eleições Legislativas - pelo menos estas! - sigam o mesmo caminho.
Ou seja, tenho esperança que, no futuro, as pessoas possam escolher os deputados que os representam e não apenas o candidato a Primeiro Ministro.
Que as pessoas possam escolher o Senhor Manuel ou a Dr. Adelaide que estão activos nas associações, na Universidade, que são profissionais reconhecidos e com mérito, em vez de votarem num qualquer funcionário de partido que pouco ou nada percebe de Portugal e da vida dos portugueses.
E penso que é urgente que este processo tenha repercussões nos outros partidos, especialmente no PSD e no CDS.
A política deve ser feita das pessoas para as pessoas e deverá ser a população ligada à social democracia que deverá escolher o melhor candidato para combater o candidato que os populares socialistas escolheram e os democratas cristãos e por aí fora.
Pensem em Obama.
Algum dia Obama tinha sido eleito caso não existisse os sistema de primárias?! Algum dia as elites de um partido político escolhiam um afro-americano?!
Se alguém tem dúvida, pensam em quantos descendentes de africanos - não se esqueçam que Angola, Moçambique, Guine Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe foram colónias portuguesas até há bem pouco tempo - existem no CDS, PSD, PS, BE ou PCP.
Acredito que hoje é o primeiro dia de um novo Portugal democrático.
Acredito que o mérito e a transparência, aos poucos, voltarão.
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domingo, 28 de setembro de 2014
O primeiro acto de Costa... e o segundo!
"Este cravo é vosso", é um grande gesto, completamente espontâneo. ( Sim, estou a ser irónico.)O segundo acto foi admitir que é mais um "jotinha".
Infelizmente Portugal já viu este filme.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
domingo, 21 de setembro de 2014
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Demissão
Perguntaram-me, inocentemente, se uma pessoa desta lista não deveria ter pedido a demissão. quinta-feira, 18 de setembro de 2014
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Orwell, sempre Orwell
Orwell, com a Quinta dos Animais, utilizou uma fábula ao estilo de La Fontaine, criticando veemente Estaline e a sua traição à Revolução de 1917.No livro conta-se que após a tomada de poder por parte dos animais, escreveram-se sete mandamentos:
1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas, ou tenha asas, é amigo.
3. Nenhum animal usará roupas.
4. Nenhum animal dormirá em cama.
5. Nenhum animal beberá álcool.
6. Nenhum animal matará outro animal.
7. Todos os animais são iguais.
Resumidamente, tais mandamentos serviram para legitimar o Animalismo, de onde os porcos seriam os governantes.
Napoleão - personagem baseada em Estaline - e Bola de Neve - simbolizando todos aqueles que sofreram as purgas - governaram a quinta em conflito, até ao dia em Napoleão conseguiu expulsar Bola de Neve.
A partir daí muito se alterou na quinta e os mandamentos foram alterados para:
4. Nenhum animal dormirá em cama com lençóis.
5. Nenhum animal beberá álcool em excesso.
6. Nenhum animal matará outro animal sem motivo.
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.
No final do livro o único mandamento que subsiste é:
7.Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.
Ao ler Orwell não consigo deixar de fazer um paralelismo com os dias de hoje. Bem sei que ele era socialista - alguns críticos dizem que seria apenas um anarquista - e que a sua ideia seria o combate ao comunismo; tal é bem visível em "Animal Farm" e em "1984".
As democracias, nos dias de hoje, usam mecanismos de controlo sobre a população que, há 60 anos atrás, só se imaginariam numa ditadura: é a monitorização de todos os gastos da população e o cruzamento de dados; é o Ministério das Finanças cobrar coimas excessivas em áreas que não tutela; a actuação sobre o micro e pequeno comércio, fechando-o; a asfixia de liberdade por via da ameaça de desemprego; o confisco do Estado aos rendimentos das famílias e empresas.
Regresso a Orwell sempre que vejo o Estado a entrar por caminhos onde, para mim, social democrata e liberal - dos da Revolta Liberal, não sou dos que se dizem liberais e assumem a cartilha Marxista -, não deveria entrar. E de há dez anos a esta parte, são tantos esses sítios.
Voltando aos mandamentos do Animalismo, tiro a conclusão que os Porcos convencem todos os outros animais a acreditarem neles para os governar dado as suas capacidades de líderes e as promessas de igualdade, fraternidade e liberdade que são transmitidas pelos mandamentos.
Contudo, com o passar do tempo, tais promessas são esquecidas e alteradas, em prol da governação.
Com isto não posso deixar de pensar nas campanhas para as legislativas de 2005, de 2009, 2011 e, pelo que já se ouve de Seguro e Costa, a campanha do próximo ano: prometem prometem prometem mas nunca chegam a cumprir; depois é vê-los com lágrimas de crocodilo e com respostas evasivas.
A par de Eça, Orwell deveria ser introduzido no Plano Nacional de Leitura.
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sábado, 13 de setembro de 2014
Almoço no Vouga
Corria o ano de 1970. Nesse dia regressávamos a casa, na Parede, depois de um almoço de funcionários do Rádio Clube Português que se realizara na Praia da Aguda, perto de Miramar. Bom conhecedor do país, o meu tio Armando sugeriu ao meu pai que, em Albergaria-a Velha, fizéssemos um pequeno desvio da Estrada Nacional nº1 para almoçar num restaurante que ele conhecia. O trajecto era relativamente pequeno, meia-dúzia de quilómetros, talvez. Em escassos minutos, o nosso novo Opel Rekord Caravan estava estacionado à porta do mencionado estabelecimento, ao lado do elegante Ford Cortina Mk I do meu tio. Quando saímos dos carros, a primeira admiração proveio da paisagem onde se inseria o edifício. Embora sem qualquer nota arquitectónica que o distinguisse da mediania, encontrava-se ancorado numa posição privilegiada, sobranceira a uma curva do rio Vouga, tendo como cenário o espelho líquido, uma praia fluvial e uma grande ponte de pedra por onde a linha de via-estreita do Vouga cruzava o rio que lhe deu o nome. Era, sem margem para dúvidas, um quadro de extraordinária harmonia e beleza, como que oriundo de um conto de fadas. Sentados em volta de uma mesa que permitia um bom visionamento do exterior, os meus pais e os meus tios dividiram as escolhas entre a Lampreia e a Vitela à moda da região. Enquanto aguardávamos pelos pedidos, a conversava derivou para a linha de comboio que passava ali perto.
- Ainda há locomotivas a vapor – dizia Armando – pois ainda há uns tempos atrás as vi por aqui. É uma linha de via estreita e vai até Viseu, pelas montanhas.- Já não deve durar muito mais - acrescentou meu pai, sempre pragmático – qualquer dia acabam com o vapor em todo o lado. Há um esforço muito grande para electrificar linhas ou substituir as locomotivas a vapor por máquinas diesel. É o progresso.
Eu assistia fascinado à conversa, olhando para a ponte vazia que vislumbrava a partir das janelas do restaurante. Quando terminou a refeição principal e se deu início ao demorado ritual das sobremesas e do café, pedi autorização para me levantar e ir brincar “lá para fora”. Estranhamente, acederam ao meu pedido, apesar do perigo evidente oferecido pela presença do rio e de um fundão, logo ali, ao pé da margem. Mas naquela época os pais aparentavam viver totalmente desligados destas questões. De facto, nunca compreendi se seria por irresponsabilidade, inconsciência ou, mais provavelmente, devido a viverem numa espécie de “Darwinismo” militante: os filhos mais fortes e desenrascados sobreviveriam aos fracos.
No entanto, estava longe de achar anormal a decisão dos meus pais, habituado que estava à liberdade relativa que me rodeava. A esse propósito, nunca me esqueci o que o meu pai me dizia, de quando em vez:
- Ricardinho, a liberdade conquista-se. Terás mais liberdade à medida que provares merecê-la.
Com a minha irmã e a minha prima, adolescentes, desci até ao rio e fiquei a brincar numas bateiras de fundo chato que ali estavam atracadas. O meu irmão era ainda muito novo e ficara junto à minha mãe, no restaurante. O meu tio apareceu também, apenas o tempo suficiente para nos tirar uma foto e regressar à mesa.
- Tem atenção, que pode passar o comboio a vapor – avisou-me ele, antes de ir embora.
Estava extasiado com a beleza verdejante que nos rodeava. A ponte, em alvenaria, era muito comprida e possuía 12 arcos de diversas dimensões. Soube posteriormente que o fecho do arco central tinha apenas 90 cm de espessura e que o projecto se devera a um engenheiro francês, de seu apelido Sejourné, contratado pela companhia do Vale do Vouga, de capitais franceses.
Tendo desistido de brincar nos instáveis barcos, entretinha-me a atirar pedrinhas para a água quando ouvi o ruído de um motor, um apito e o vibrar de carris. Para mim não fazia qualquer sentido, pois pressentia a passagem de um comboio e não ouvia o som tradicional de uma locomotiva a vapor, como as que vira em Sines, dois anos antes. Alguns instantes depois, entrou na ponte um estranho veículo azul-escuro, com a forma de um pequeno autocarro, aerodinâmico, com a traseira arredondada e em boa velocidade. Num ápice cruzou a ponte e desapareceu, envolvido pela densa vegetação que envolvia as margens do rio. Fiquei pasmado!
Subi a correr até ao restaurante e fui ter com os crescidos:
- Papá, papá! Viste o comboio que passou?
- Vi pois, filho. Era uma automotora.
- Uma automotora?
- Uma espécie de carruagem com motor, mas realmente nunca tinha visto uma assim tão pequena.
- Aqui perto fica a estação de Sernada, onde são as oficinas e onde se guarda este material – acrescentou o meu tio. Passei por lá no último Rali Tap. É uma estação muito gira.
Voltei para junto do rio, fascinado com o que vira. Nem tinha bem a certeza se era real ou tinha imaginado: “Coisa estranha, um autocarro que anda na linha do comboio”, pensava eu enquanto descia de novo até à margem. As minhas divagações foram interrompidas com um longo apito e o barulho que eu logo reconheci:
- Um comboio a vapor! Vem lá um comboio a vapor – gritava eu enquanto pulava de alegria.
Pouco depois entrava na ponte uma locomotiva articulada, talvez da série E-181, que rebocava um grande comboio misto de mercadorias e passageiros. Seguia na mesma direcção da automotora, isto é, do litoral em direcção às Termas de S. Pedro do Sul e a Viseu. Era nitidamente mais vagarosa, porém muito mais espectacular que o pequeno veículo azul que a antecedera. Fiquei eufórico e jurei, a mim mesmo que, um dia, tinha que ali regressar e descobrir o sítio onde se albergavam estas peças tão extraordinárias.
A viagem de regresso correu como era hábito, através da Estrada Nacional nº1, atrás de velhos e fumegantes camiões, carregados para lá do limite da sensatez, esperando o momento menos mau para ensaiar as ultrapassagens. Não me recordo das conversas nem dos detalhes. Mas recordo-me que fui a pensar na automotora azul em boa parte do tempo.
Tardaria mais de 15 anos para regressar ao mesmo local. Apenas a tempo conhecer uma linha à beira do encerramento, de ver uma automotora azul ferrugenta e abandonada e para assistir às derradeiras actuações das automotoras Allan - dos anos 50 - que anos antes tinham substituído o material “clássico” que tanto me impressionara naquele dia inesquecível. Foi também uma viagem memorável, com as tradicionais curvas e contra-curvas do Vouga que nos levavam através de quintinhas e quintais até à cidade de Viseu. Inesquecível também para o meu irmão, agora com 16 anos, que descobriu a estação de Sernada, após ser violentamente despertado de um sono profundo, pelo balanço da automotora onde viajávamos.
Mas essa já é outra história…
Ricardo Grilo in " Bastão Piloto"
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Uma aula com David Justino
Ontem, na Biblioteca Municipal Ferreira de Castro, assisti a uma aula dada pelo Professor David Justino.O tema da conferência era a transferência de poderes do ministério para as autarquias, a descentralização da gestão das infraestruturas de ensino e a divisão de responsabilidades. Era um assunto técnico - para um leigo como eu - mas explicado de forma extremamente clara pelo ex-ministro, de modo a que todos compreendessem.
Contudo a verdadeira aula foi sobre cidadania, sentido de Estado e liberdade.
Um professor é sempre um professor e a vontade de transmitir conhecimento é inerente a qualquer condição.
David Justino mostrou humildade em vir a Oliveira de Azeméis falar com pais e professores, explicando a organização do sistema de ensino e o que se poderá esperar ( ou não) do sucesso escolar nos próximos anos, fruto das intervenções que têm vindo a ser realizadas.
Disse estar na política apenas e só com o sentido do dever para com a sociedade, ajudando com o que sabe, com o que estudou. Contou que o seu maior desejo, enquanto ministro, era o de voltar à escola e aos alunos.
Os políticos não devem ser profissionais da política; devem ser pessoas livres, com objectivos e projectos, claros,
para a melhoria das condições de vida das populações e devem ter um tempo e um espaço de actuação.
Referiu que, como todos na plateia sabiam, é militante do PSD e foi ministro de Durão Barroso; não trata mal ninguém mas não era por isso que iria estar calado sobre aquilo que ele pensa estar errado.
Por fim pediu às pessoas para analisarem o trabalho dos governantes e a forma como é gasto o erário público.
Perante pessoas com o currículo do Professor David Justino eu sinto-me pequeno porque tenho a noção que tenho muito a aprender.
E perante a análise que fiz à plateia tenho pena que não estivessem presentes mais professores, mais pais, alunos, e, sobretudo, proto-políticos, daqueles que dizem "ou estas 200% comigo ou estas contra mim". Certamente teriam muito a aprender, caso quisessem.
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
A ignorância era escudo; agora é arma.
Aos pobres de espírito está garantido o reinos dos céus. Pelos visto há muita gente que, por esta via, tenta entrar no paraíso.Havia pessoas que se escudavam na sua ignorância para permanecerem caladas, para passarem despercebidas pelo meio da sociedade, na esperança que ninguém reparasse nelas e na sua falta de conhecimento.
Hoje eles gritam bem alto, em algo que se assemelha ao português, maravilhados com a sua própria
estupidez.
João Lemos Esteves é o último desta trupe a dar-se a conhecer: misturar futebol com política, com algum sentido, é algo apenas acessível a uma ínfima percentagem da população; e o senhor que escreve no SOL, não faz parte dela.
Lendo esta coisa, fico sem entender se ele percebe menos de futebol ou de política.
Eu, de futebol nada percebo.
Contudo, sei que o PCP e a Albânia têm muito pouco em comum: Mao e Estaline não combinam. Mas isso dava pano para mangas.
Para a próxima, já que Portugal vai jogar com a Sérvia, antiga província da Jugoslávia, aconselho a leitura do um livro " O um dividiu-se em dois", de José Pacheco Pereira.
Eu sei que João Lemos Esteves não gosta de se informar - a exemplo da trupe - e prefere escrever coisas "ao correr da pena" ou ao correr de um outro qualquer interesse; mas evitava uma série de erros colossais.
Aproveito a oportunidade que me deu para, já agora, o aconselhar a não utilizar em excesso os pontos de exclamação. Não dá o toque de humor que pretende, ao texto. Apenas e só o faz parecer um jovem imberbe e mal formado ou um marketeer de quinta categoria.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
"Uma proposta inteligente"
Henrique Monteiro sempre demonstrou ter uma grande dose de inteligência, sabedoria e sensatez; pena que o Senhor Primeiro Ministro não padeça das mesmas qualidades.
Ou então vai-nos pregar uma rasteira a todos.
Ou então vai-nos pregar uma rasteira a todos.
domingo, 7 de setembro de 2014
Duas perguntas
Porque é que o o corruptor tem uma pena (bastante) superior ao corrompido, quando é por acção dos dois, e só dos dois, que há corrupção?
O que poderia ter acontecido caso não fosse a gestão desastrosa de Noronha do Nascimento e Pinto Monteiro, e tivessem deixado os juízes do tribunal de Aveiro actuar?
Nota: eu que tenho memória, lembro-me que actuais figuras gradas da direcção do PSD, aquando se levantaram suspeitas - e apenas isso! - sobre a licenciatura de Sócrates, o Freeport, os esquissos das casinhas, a tentativa de controlo sobre o Público, TVI e SOL, e as negociatas com Vara, disseram que eram ataques pessoais sem jeito nenhum. Hoje pensam de forma diferente.
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Renascer
O “O Meu Pé de Laranja” foi, durante anos, o meu objecto, a minha ferramenta de interacção política com a minha comunidade, especialmente a comunidade web. Além disso serviu, também, de reportório de intervenções fora do ambiente web, como as crónicas no Política Queira Mais, Entre Aspas e discursos proferidos nas mais diversas ocasiões.
Foi criado numa altura em que Manuel Ferreira Leite era líder da Social Democracia em Portugal e contava, entre outros, com pessoas como Pacheco Pereira, Rui Rio ou Paulo Rangel na sua war room.
Foi criado, também, numa altura em que participei activamente na campanha de Hermínio Loureiro à Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, como membro não elegível da sua lista. Através do blog conseguiu dar a minha opinião sobre a cidade a comunidade e a campanha.
Posteriormente, por necessidade de retirar Sócrates do poder – embora, a meu ver, numa altura prejudicial para o PSD – e por amizade à Carla Rodrigues, o blog foi, também, activamente usado na campanha eleitoral de 2011.
Passados cinco anos, a realidade é bem diferente e, por isso, o “ O Meu Pé de Laranja” não fazia qualquer sentido; associar “laranja” a um blogger que, apesar de militante do PSD, não se revê na postura da actual direcção partidária não me parecia, no mínimo, coerente.
Para o “Café da Estação”, nas últimas semanas, reli textos de autores que acompanhavam a realidade portuguesa. Pessoas que nunca foram socráticas e que sempre olharam com desconfiança para Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas e Marco António Costa. Deram o benefício da dúvida mas, infelizmente para os portugueses, o tempo dá-lhes razão.
Os homens do aparelho tomaram conta dos partidos e, com isso, do país: Passos Coelho, Seguro e Costa. A mesma escola, a mesma forma de agir a mesma dicotomia e relação com as empresas e a comunicação social. A imagem à frente da acção, como se a política pudesse ser uma agência de comunicação em torno do seu líder e não um conjunto de acções em prol da sociedade.
Ainda antes das eleições de 2011, Pacheco Pereira sobre as manifestações de 12 de Março escrevia “ (…) será que a manifestação de 12 de Março afasta do poder as personagens que hoje controlam os aparelhos partidários, controlam secções gigantes cacicadas, estão à frente de sindicatos de voto, e daí retiram poder nacional ou autárquico, controlam as lideranças e as escolhas de lugares, e que são corruptas como quem respira? A resposta é não. Algumas dessas personagens estão já muito contentes à espera do seu lugar de ministro e de secretário de Estado, e os favores que prestam às lideranças que eles próprios fabricam serão certamente pagos.”.
Viu-se, em tempos, como estes agente actuavam no PSD. Vê-se, agora, como o fazem no PS.
Gladiam-se, insultam-se da pior espécie em nome de um líder. Isso é que está errado: deveria ser em nome de uma causa, de uma ideia. Esta gente insulta-se em nome de uma pessoa que, além do aspecto físico, nada tem de diferente em relação ao seu opositor.
Ouvindo António Barreto no TEDxLisboa, penso que descobrimos parte do problema da política portuguesa: não se discutem opiniões, discutem-se factos.
Os agentes políticos em Portugal passam grande parte do tempo a discutir se tal facto aconteceu ou não, se foi por culpa de A, B ou C, em vez de, dando o facto como consumado, emitirem a sua opinião sobre ele. Aqui se denota como, grande parte das vezes, por incompetência ou por puro oportunismo, políticos, pessoas com responsabilidades, “acham”, “supõem”, “instigam”, e outras afirmações que apenas são possíveis a quem não conhece os números e os factos.
Tal comportamento, por parte dos líderes e das equipas-chave dos principais partidos, demonstra bem como é que tais pessoas chegam ao poder: por conhecerem todos os meandros da hierarquia partidária; e o que fazem quando chegam ao poder: pouco ou mal porque não conhecem o país que existe fora do partido.
Felizmente, a meu ver, há esperança por duas razões. Uma porque “ um fanático esconde sempre uma dúvida secreta, sendo isso uma hipótese para o conseguirmos vencer”. Hoje quem apoia clamorosamente Passos Coelho já apoiou Luís Filipe Menezes, Santana, Durão. O mesmo se passa com quem apoia Costa, já apoiou Seguro, Sócrates, Ferro Rodrigues, Guterres.
Ou seja, os grupos de apoio são comutáveis e sofrem de influência por osmose.
A segunda razão por eu pensar que há esperança chama-se Rui Rio.
Foi criado numa altura em que Manuel Ferreira Leite era líder da Social Democracia em Portugal e contava, entre outros, com pessoas como Pacheco Pereira, Rui Rio ou Paulo Rangel na sua war room.
Foi criado, também, numa altura em que participei activamente na campanha de Hermínio Loureiro à Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, como membro não elegível da sua lista. Através do blog conseguiu dar a minha opinião sobre a cidade a comunidade e a campanha.
Posteriormente, por necessidade de retirar Sócrates do poder – embora, a meu ver, numa altura prejudicial para o PSD – e por amizade à Carla Rodrigues, o blog foi, também, activamente usado na campanha eleitoral de 2011.
Passados cinco anos, a realidade é bem diferente e, por isso, o “ O Meu Pé de Laranja” não fazia qualquer sentido; associar “laranja” a um blogger que, apesar de militante do PSD, não se revê na postura da actual direcção partidária não me parecia, no mínimo, coerente.
Para o “Café da Estação”, nas últimas semanas, reli textos de autores que acompanhavam a realidade portuguesa. Pessoas que nunca foram socráticas e que sempre olharam com desconfiança para Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas e Marco António Costa. Deram o benefício da dúvida mas, infelizmente para os portugueses, o tempo dá-lhes razão.
Os homens do aparelho tomaram conta dos partidos e, com isso, do país: Passos Coelho, Seguro e Costa. A mesma escola, a mesma forma de agir a mesma dicotomia e relação com as empresas e a comunicação social. A imagem à frente da acção, como se a política pudesse ser uma agência de comunicação em torno do seu líder e não um conjunto de acções em prol da sociedade.
Ainda antes das eleições de 2011, Pacheco Pereira sobre as manifestações de 12 de Março escrevia “ (…) será que a manifestação de 12 de Março afasta do poder as personagens que hoje controlam os aparelhos partidários, controlam secções gigantes cacicadas, estão à frente de sindicatos de voto, e daí retiram poder nacional ou autárquico, controlam as lideranças e as escolhas de lugares, e que são corruptas como quem respira? A resposta é não. Algumas dessas personagens estão já muito contentes à espera do seu lugar de ministro e de secretário de Estado, e os favores que prestam às lideranças que eles próprios fabricam serão certamente pagos.”.
Viu-se, em tempos, como estes agente actuavam no PSD. Vê-se, agora, como o fazem no PS.
Gladiam-se, insultam-se da pior espécie em nome de um líder. Isso é que está errado: deveria ser em nome de uma causa, de uma ideia. Esta gente insulta-se em nome de uma pessoa que, além do aspecto físico, nada tem de diferente em relação ao seu opositor.
Ouvindo António Barreto no TEDxLisboa, penso que descobrimos parte do problema da política portuguesa: não se discutem opiniões, discutem-se factos.
Os agentes políticos em Portugal passam grande parte do tempo a discutir se tal facto aconteceu ou não, se foi por culpa de A, B ou C, em vez de, dando o facto como consumado, emitirem a sua opinião sobre ele. Aqui se denota como, grande parte das vezes, por incompetência ou por puro oportunismo, políticos, pessoas com responsabilidades, “acham”, “supõem”, “instigam”, e outras afirmações que apenas são possíveis a quem não conhece os números e os factos.
Tal comportamento, por parte dos líderes e das equipas-chave dos principais partidos, demonstra bem como é que tais pessoas chegam ao poder: por conhecerem todos os meandros da hierarquia partidária; e o que fazem quando chegam ao poder: pouco ou mal porque não conhecem o país que existe fora do partido.
Felizmente, a meu ver, há esperança por duas razões. Uma porque “ um fanático esconde sempre uma dúvida secreta, sendo isso uma hipótese para o conseguirmos vencer”. Hoje quem apoia clamorosamente Passos Coelho já apoiou Luís Filipe Menezes, Santana, Durão. O mesmo se passa com quem apoia Costa, já apoiou Seguro, Sócrates, Ferro Rodrigues, Guterres.
Ou seja, os grupos de apoio são comutáveis e sofrem de influência por osmose.
A segunda razão por eu pensar que há esperança chama-se Rui Rio.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Estatística e alimentação
Cara Raquel Varela, o açúcar espanta outros males: as desilusões. Orwell oferece cerveja, gin e marmelada às suas personagens. Qual é a diferença?
Se analisar as estatísticas do INE com base na mediana, vai obter resultados diferentes e certamente mais reais, mostrando as tendências reais de consumo.
Se analisar as estatísticas do INE com base na mediana, vai obter resultados diferentes e certamente mais reais, mostrando as tendências reais de consumo.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Marketing de guerra
A decapitação de um jornalista no Médio Oriente tem ocupado um lugar de destaque neste ciclo de notícias.
Acho
que se pode dizer que provocou choque, pelo menos no povo europeu e
norte-americano. Não é uma tarefa facil. A morte está tão banalizada que é necessário
criar algo com impacto. É curioso que um acto comum nas guerras ao longo da História
cause esta reacção. Já não estamos habituados a ver alguém disposto a sujar as
mãos com o sangue daquele que considera inimigo. Fomos educados para reprovar
estas acções. Achamos que são medievais. Provavelmente apoiariamos mesmo uma
condenação severa a soldados do nosso país, ou dos seus aliados, se o fizessem.
A
guerra pode existir sem ser bárbara, sem
magoar para além do necessário. Acredita-se nisso. Estamos muito bem amestrados,
sem dúvida.
Por
isso convivemos bem com drones. Muito mais asépticos. Muito mais modernos. Da
sua câmara HD a 1000 metros de altitude não se pode ver o sangue, nem os corpos
destruídos. De uma sala de comando, a milhares de quilómetros da batalha, não
se sente o cheiro dos corpos queimados nem tão pouco se ouvem os lamentos por
misericórdia. Destroem-se pontos no ecran. Figurantes de um jogo de computador
muito menos realista que os de uma consola de última geração.
Como
será a nossa vida se pilotámos um drone? Deixamos os filhos na escola.
Apanhamos um pouco de transito até ao trabalho. Tomamos um café. Sentamo-nos à
secretária. Matamos 20 pessoas. Outro café porque a manhã está a ser chata.
Mandamos um sms ao nosso melhor amigo para combinar uma cerveja. Matamos 10
pessoas. Vamos almoçar. Baixo em calorias, por favor e coca-cola zero.
Para futura análise
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quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Onde está o Quaresma?
Nota 1: foto retirada da Página Oficial de Futebol Clube do Porto, no Facebook. Não é nenhuma brincadeira de mau gosto.
Nota 2: A imagem refere o perfil dos 10 reforços; bem sei que Quaresma não é reforço. Contudo, Alex Sandro também não.
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