Sou crismado, ou seja, tenho todos os sacramentos excepto três, sendo que só poderei ter mais dois desses três.
Apesar disso não pratico o culto ou entro numa igreja com o intuito da busca divina há muitos anos.
Contudo, nestes tempos conturbados, a Igreja é um refúgio moral. Deverá ser a última barreira que o temor exige.
Vivemos numa crise financeira e económica que se estendeu aos valores sociais e culturais de todo o mundo e, dia após dia, somos informados da pouca ética existente entre os vários DDT.
Aqui a doutrina social da igreja é fundamental e deverá reger a social-democracia e as mais variantes político-filosóficas europeias, assentes na tradição judaico-cristã.
Posto isto, como ateu, leigo, ou que lhe quiserem chamar, sinto-me à vontade para indicar que a leitura completa da Evangelli Gaudium do Papa Francisco é fundamental para os tempos que vivemos.
Uma carta que os sociais-democratas portugueses poderão facilmente associar a Francisco Sá Carneiro, muito embora para alguns isso parece obra da extrema esquerda. Mais uma vez, sinal do tempo em que vivemos; infelizmente.
"Por detrás desta atitude escondem-se a rejeição da ética e a recusa de Deus. Para a ética, olha-se habitualmente com um certo desprezo sarcástico; é considerada contraproducente, demasiado humana, porque relativiza o dinheiro e o poder. É sentida como uma ameaça, porque condena a manipulação e degradação da pessoa. Em última instância, a ética leva a Deus que espera uma resposta comprometida que está fora das categorias do mercado. Para estas, se absolutizadas, Deus é incontrolável, não manipulável e até mesmo perigoso, na medida em que chama o ser humano à sua plena realização e à independência de qualquer tipo de escravidão. A ética – uma ética não ideologizada – permite criar um equilíbrio e uma ordem social mais humana. Neste sentido, animo os peritos financeiros e os governantes dos vários países a considerarem as palavras dum sábio da antiguidade: 'Não fazer os pobres participar dos seus próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida. Não são nossos, mas deles, os bens que aferrolhamos.'"
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