Acabei agora de ver " A most wanted man". Já tinha lido o romance de Le Carré há alguns anos - dos poucos autores recentes que leio.
Filmar Le Carré é fácil: está tudo lá, desde a história, às personagens, passando pelas as sombras, ou os pormenores; tudo o que é necessário para se fazer um grande filme está escrito de forma minuciosa na sua fonte original. Não é preciso inventar nada. Depois de "Tinker tailor soldier spy", ou " The constant gardener, ou "The Russia house", mais uma vez, saiu um grande filme.
Tem alguns erros de produção, como o Mercedes de Günther ser velho de mais para 2001 ou o Mercedes de Tommy ser recente de mais para 2001, mas que não mancha em nada o que o autor quer transmitir. Antes pelo contrário: o Classe S dos anos 80 projecta Günther Bachmann para o passado que o persegue e o SL novinho em folha de Tommy Brue mostra a classe e a sofisticação de um banqueiro que se quer ver livre do passado escuro da sua família.
Há tudo isto e há interpretações fabulosas de Seymor Hoffman, Rachel McAdams e Willem Dafoe. Ter em papéis secundários actores como Daniel Brüh ou Nina Hoss, "A most wanted man" arrisca-se claramente aos Óscares.
Pode parecer triste a curto prazo mas completamente compreensível a médio/ longo prazo: sair na ribalta, sair na alegria, é a melhor coisa que nos pode acontecer. Foi o que se passou com Seymor Hoffman e, com mais esta brilhante interpretação - a juntar a tantas outras - vai ser para sempre recordado como um dos melhores actores de Hollywood.
Nota: o final não é feliz. É um final real, de um mundo real.
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