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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Orwell, sempre Orwell

Orwell, com a Quinta dos Animais, utilizou uma fábula ao estilo de La Fontaine, criticando veemente Estaline e a sua traição à Revolução de 1917.
No livro conta-se que após a tomada de poder por parte dos animais, escreveram-se sete mandamentos:

1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas, ou tenha asas, é amigo.
3. Nenhum animal usará roupas.
4. Nenhum animal dormirá em cama.
5. Nenhum animal beberá álcool.
6. Nenhum animal matará outro animal.

7. Todos os animais são iguais.

Resumidamente, tais mandamentos serviram para legitimar o Animalismo, de onde os porcos seriam os governantes.
Napoleão - personagem baseada em Estaline - e Bola de Neve - simbolizando todos aqueles que sofreram as purgas - governaram a quinta em conflito, até ao dia em Napoleão conseguiu expulsar Bola de Neve. 
A partir daí muito se alterou na quinta e os mandamentos foram alterados para:

4. Nenhum animal dormirá em cama com lençóis.
5. Nenhum animal beberá álcool em excesso.
6. Nenhum animal matará outro animal sem motivo.
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.


No final do livro o único mandamento que subsiste é:

7.Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

Ao ler Orwell não consigo deixar de fazer um paralelismo com os dias de hoje. Bem sei que ele era socialista  - alguns críticos dizem que seria apenas um anarquista - e que a sua ideia seria o combate ao comunismo; tal é bem visível em "Animal Farm" e em "1984".

As democracias, nos dias de hoje, usam mecanismos de controlo sobre a população que, há 60 anos atrás, só se imaginariam numa ditadura: é a monitorização de todos os gastos da população e o cruzamento de dados; é o Ministério das Finanças cobrar coimas excessivas em áreas que não tutela; a actuação sobre o micro e pequeno comércio, fechando-o; a asfixia de liberdade por via da ameaça de desemprego; o confisco do Estado aos rendimentos das famílias e empresas.

Regresso a Orwell sempre que vejo o Estado a entrar por caminhos onde, para mim, social democrata e liberal - dos da Revolta Liberal, não sou dos que se dizem liberais e assumem a cartilha Marxista -, não deveria entrar. E de há dez anos a esta parte, são tantos esses sítios.

Voltando aos mandamentos do Animalismo, tiro a conclusão que os Porcos convencem todos os outros animais a acreditarem neles para os governar dado as suas capacidades de líderes e as promessas de igualdade, fraternidade e liberdade que são transmitidas pelos mandamentos.
Contudo, com o passar do tempo, tais promessas são esquecidas e alteradas, em prol da governação.

Com isto não posso deixar de pensar nas campanhas para as legislativas de 2005, de 2009, 2011 e, pelo que já se ouve de Seguro e Costa, a campanha do próximo ano: prometem prometem prometem mas nunca chegam a cumprir; depois é vê-los com lágrimas de crocodilo e com respostas evasivas.

A par de Eça, Orwell deveria ser introduzido no Plano Nacional de Leitura.


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A ignorância era escudo; agora é arma.

Aos pobres de espírito está garantido o reinos dos céus. Pelos visto há muita gente que, por esta via, tenta entrar no paraíso.
Havia pessoas que se escudavam na sua ignorância para permanecerem caladas, para passarem despercebidas pelo meio da sociedade, na esperança que ninguém reparasse nelas e na sua falta de conhecimento.
Hoje eles gritam bem alto, em algo que se assemelha ao português, maravilhados com a sua própria
estupidez.
João Lemos Esteves é o último desta trupe a dar-se a conhecer: misturar futebol com política, com algum sentido, é algo apenas acessível a uma ínfima percentagem da população; e o senhor que escreve no SOL, não faz parte dela.
Lendo esta coisa, fico sem entender se ele percebe menos de futebol ou de política.
Eu, de futebol nada percebo.
Contudo, sei que o PCP e a Albânia têm muito pouco em comum: Mao e Estaline não combinam. Mas isso dava pano para mangas.
Para a próxima, já que Portugal vai jogar com a Sérvia, antiga província da Jugoslávia, aconselho a leitura do um livro " O um dividiu-se em dois", de José Pacheco Pereira.
Eu sei que João Lemos Esteves não gosta de se informar - a exemplo da trupe - e prefere escrever coisas "ao correr da pena" ou ao correr de um outro qualquer interesse; mas evitava uma série de erros colossais.
Aproveito a oportunidade que me deu para, já agora, o aconselhar a não utilizar em excesso os pontos de exclamação. Não dá o toque de humor que pretende, ao texto. Apenas e só o faz parecer um jovem imberbe e mal formado ou um marketeer de quinta categoria.