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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Em jeito de homenagem

Muitas vezes exigimos desmesuradamente, criticamos, apontamos o dedo. Dizemos que não fazem nada e que nós, que opinamos, faríamos melhor: tínhamos a pergunta certeira, íamos investigando até sabermos toda a verdade, doe-se a quem quer que fosse.
É certo que, como em todas as profissões, existem maus profissionais; contudo os bons não podem pagar pelos maus.
Se não fosse a paixão pela liberdade destes homens e mulheres, não podíamos ter acesso ao mundo que ultrapassa o nosso campo de visão, o nosso conhecimento e pensamento. Viveríamos como já se viveu - ainda se vive assim em muitos países espalhados pelo mundo - e, digo com toda a frontalidade, não nos imagino a viver assim.
Em jeito de homenagem, deixo aqui a lista de jornalistas que, durante 2014, morreu em serviço.
Obrigado.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Ironia das ironias

A resolução do problema do turismo e de transporte de pessoas e mercadorias - vulgo Greve do Pessoal da TAP - foi resolvido pelos neoliberais com uma lei do tempo de algumas ideias que, inconscientemente defendem e que conscientemente repugnam: de Vasco Gonçalves e do Marxismo.
Há ironias do caraças, pá!

NOTA: apesar disso considero a solução boa; mas eu não me considero neoliberal nem aplico a cartilha marxista-leninista.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Como é?!

Sobre umas declarações de Nuno Crato voltar à universidade, Passos Coelho referiu que isso iria acontecer mas mais para a frente.
Nuno Crato vai voltar à universidade para continuar a sua brilhante carreira académica.
Passos Coelho vai ter o mesmo destino: a universidade. Contudo será para receber aulas.
Será que o aumento do IVA, IRC, IRS, congelamento de salários e outras maravilhas "da austeridade" são, para os lados de S.Bento, um incentivo ao consumo?!

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Golpe Palaciano?

Após a vitória esmagadora de António Costa contra o candidato ideal para o PSD - Seguro -, as hostes laranjas andam muito agitadas.
A direcção, e quem com ela está, tenta evitar a todo o custo que Rui Rio e os seus apoiantes decidam avançar. Muitos têm receio que PSD realize primárias, a exemplo do PS, e que, com isso, com a população social-democrata a votar no candidato a candidato a Primeiro Ministro, Passos Coelho e os seus sejam corridos de todos os cargos.
Nos argumentos que utilizam podemos ouvir coisas como: não somos como o PS, criticamos o PS e fazemos igual, será um golpe palaciano ou um golpe de estado.
São argumentos válidos e, ao mesmo tempo, tristes.
Válidos porque o que é importante para o país e para o PSD é que Passos Coelho, altamente desgastado e sem espaço de manobra e ideias válidas, se afaste.
Tristes porque, como todos sabemos, isto é estratégia.
Para melhor perceberem, deixo-vos aqui um caso.   
Ainda Manuela Ferreira Leite era líder do PSD e preparava-se para disputar com Sócrates o lugar de Primeiro Ministro e já Passos Coelho, Relvas e muitos outros queriam ocupar o poder.
Se o líder do PSD era Ferreira Leite, se o PSD ganhasse as eleições legislativas de 2009, Passos Coelho, na melhor das hipóteses, apenas poderia chegar a líder em 2013, caso o PSD perdesse as legislativas desse ano. Se assim fosse, Passos chegaria a Primeiro Ministro em 2017.
Para tal não acontecer era necessário, em primeiro lugar, que Ferreira Leite perdesse as eleições.
Em segundo, que existisse uma aliança com Menezes/ Marco António Costa e Santana Lopes para conseguirem derrotar Paulo Rangel, ludibriando Aguiar Branco.
Em terceiro, que a comunicação social, opinion makers e spin doctors entrassem no projecto.
O resultado é o que temos hoje.
Posto isto, quando ouço alguém falar em golpes palacianos para colocar Rui Rio na presidência do partido acho triste e só me apetece rir. Rir porque chorando não resolvia nada.

P.S.: obrigado Fernando Moreira de Sá.   

Quem, no PSD, poderá derrotar António Costa?


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

"Os gatos não têm vertigens"

Acabo de ver "Os gatos não têm vertigens", de António-Pedro Vasconcelos. Não fosse o final cinematográfico, feliz, era um filme real, franco. Bem filmado, bem realizado, com uma excelente interpretação de Maria do Céu Guerra. Um filme feito de pessoas para pessoas.
São velhos abandonados, jovens mal formados e sem futuro, uma classe média outrora informada mas que se transformou num poço de egoísmo, triste, que conta os poucos tostões que ainda sobram. São "putas a mais e clientes a menos".
É um filme do país real.
Ao ver o filme não pode deixar de pensar no discurso que Cavaco Silva proferiu no 5 de Outubro.
Um discurso que, a exemplo do filme, é de quem conhece bem o país e os portugueses, um discurso que alerta para o perigo do marasmo e do buraco onde colocaram as pessoas.
Um discurso de alerta, de simples compreensão para quem o quer compreender. Um discurso que aponta um caminho: ir buscar os melhores e os mais capazes.
Contudo, de há tempos a esta parte, é fácil bater em Cavaco; e desconfio que há quem o faça por prazer.
Não entendo quem critica o discurso, da esquerda à direita.
Ou entendo: estão tão ocupados com o seu ego que não têm tempo para olharem em volta, não têm tempo para perceber que a política é feita para as pessoas e não para o objectivo pessoal de cada um. Não entendem que a política não é feita para garantir o emprego do governante mas os empregos das populações.
Tenho pena que Passos e Costa - especialmente estes dois - não tenham percebido o discurso do Presidente. ( Há elogios tão ocos e tão sem sentido que é uma vergonha acontecerem...).
Tenho pena que estes dois nos tenham colocado no buraco onde nos encontramos e não façam a mais pálida ideia de como nos tirar daqui.
Enquanto isso, nós não podemos ter vertigens.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O primeiro dia de um novo Portugal democrático

Ontem tiveram lugar as primeiras eleições primárias de um grande partido político português. Hoje, sem sombra de dúvida, se pode afirmar que o regime político pós PREC mudou significativamente.
Muito se disse e escreveu sobre o modo e a forma como o processo eleitoral interno do PS decorreu; lavou-se muita roupa suja; os candidatos esgrimiram-se numa luta feroz pela sobrevivência: Seguro queria manter a liderança e Costa precisava de garantir a liderança do Partido porque há muito que esqueceu Lisboa.
Hoje vive-se o primeiro dia de um novo Portugal democrático porque Seguro - melhor ou pior - abriu o PS às pessoas. Seguro, vindo da jota, conhecendo todas as manigâncias de como se chega a Secretário Geral sem ter nenhuma ideia mas cheio de votos na carteira, melhor ou pior, colocou a população a escolher quem pretende que concorra pelo PS a Primeiro Ministro.
Parabéns.
Eu acredito que o caminho que o PS tomou neste acto eleitoral é um caminho sem retorno: todas as eleições passarão a ser assim.
No mesmo sentido tenho esperança que as listas às Eleições Legislativas - pelo menos estas! - sigam o mesmo caminho.
Ou seja, tenho esperança que, no futuro, as pessoas possam escolher os deputados que os representam e não apenas o candidato a Primeiro Ministro.
Que as pessoas possam escolher o Senhor Manuel ou a Dr. Adelaide que estão activos nas associações, na Universidade, que são profissionais reconhecidos e com mérito, em vez de votarem num qualquer funcionário de partido que pouco ou nada percebe de Portugal e da vida dos portugueses.
E penso que é urgente que este processo tenha repercussões nos outros partidos, especialmente no PSD e no CDS.
A política deve ser feita das pessoas para as pessoas e deverá ser a população ligada à social democracia que deverá escolher o melhor candidato para combater o candidato que os populares socialistas escolheram e os democratas cristãos e por aí fora.
Pensem em Obama.
Algum dia Obama tinha sido eleito caso não existisse os sistema de primárias?! Algum dia as elites de um partido político escolhiam um afro-americano?!
Se alguém tem dúvida, pensam em quantos descendentes de africanos -  não se esqueçam que Angola, Moçambique, Guine Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe foram colónias portuguesas até há bem pouco tempo - existem no CDS, PSD, PS, BE ou PCP.
Acredito que hoje é o primeiro dia de um novo Portugal democrático.
Acredito que o mérito e a transparência, aos poucos, voltarão.
   

domingo, 28 de setembro de 2014

O primeiro acto de Costa... e o segundo!

"Este cravo é vosso", é um grande gesto, completamente espontâneo. ( Sim, estou a  ser irónico.)
O segundo acto foi admitir que é mais um "jotinha".
Infelizmente Portugal já viu este filme.

Uma dúvida...

( António) Costa vai entrar triunfante no Rato, tal Augusto, depois de cruzar o Rubicão?

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Orwell, sempre Orwell

Orwell, com a Quinta dos Animais, utilizou uma fábula ao estilo de La Fontaine, criticando veemente Estaline e a sua traição à Revolução de 1917.
No livro conta-se que após a tomada de poder por parte dos animais, escreveram-se sete mandamentos:

1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas, ou tenha asas, é amigo.
3. Nenhum animal usará roupas.
4. Nenhum animal dormirá em cama.
5. Nenhum animal beberá álcool.
6. Nenhum animal matará outro animal.

7. Todos os animais são iguais.

Resumidamente, tais mandamentos serviram para legitimar o Animalismo, de onde os porcos seriam os governantes.
Napoleão - personagem baseada em Estaline - e Bola de Neve - simbolizando todos aqueles que sofreram as purgas - governaram a quinta em conflito, até ao dia em Napoleão conseguiu expulsar Bola de Neve. 
A partir daí muito se alterou na quinta e os mandamentos foram alterados para:

4. Nenhum animal dormirá em cama com lençóis.
5. Nenhum animal beberá álcool em excesso.
6. Nenhum animal matará outro animal sem motivo.
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.


No final do livro o único mandamento que subsiste é:

7.Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

Ao ler Orwell não consigo deixar de fazer um paralelismo com os dias de hoje. Bem sei que ele era socialista  - alguns críticos dizem que seria apenas um anarquista - e que a sua ideia seria o combate ao comunismo; tal é bem visível em "Animal Farm" e em "1984".

As democracias, nos dias de hoje, usam mecanismos de controlo sobre a população que, há 60 anos atrás, só se imaginariam numa ditadura: é a monitorização de todos os gastos da população e o cruzamento de dados; é o Ministério das Finanças cobrar coimas excessivas em áreas que não tutela; a actuação sobre o micro e pequeno comércio, fechando-o; a asfixia de liberdade por via da ameaça de desemprego; o confisco do Estado aos rendimentos das famílias e empresas.

Regresso a Orwell sempre que vejo o Estado a entrar por caminhos onde, para mim, social democrata e liberal - dos da Revolta Liberal, não sou dos que se dizem liberais e assumem a cartilha Marxista -, não deveria entrar. E de há dez anos a esta parte, são tantos esses sítios.

Voltando aos mandamentos do Animalismo, tiro a conclusão que os Porcos convencem todos os outros animais a acreditarem neles para os governar dado as suas capacidades de líderes e as promessas de igualdade, fraternidade e liberdade que são transmitidas pelos mandamentos.
Contudo, com o passar do tempo, tais promessas são esquecidas e alteradas, em prol da governação.

Com isto não posso deixar de pensar nas campanhas para as legislativas de 2005, de 2009, 2011 e, pelo que já se ouve de Seguro e Costa, a campanha do próximo ano: prometem prometem prometem mas nunca chegam a cumprir; depois é vê-los com lágrimas de crocodilo e com respostas evasivas.

A par de Eça, Orwell deveria ser introduzido no Plano Nacional de Leitura.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Uma aula com David Justino

Ontem, na Biblioteca Municipal Ferreira de Castro, assisti a uma aula dada pelo Professor David Justino.
O tema da conferência era a transferência de poderes do ministério para as autarquias, a descentralização da gestão das infraestruturas de ensino e a divisão de responsabilidades. Era um assunto técnico - para um leigo como eu - mas explicado de forma extremamente clara pelo ex-ministro, de modo a que todos compreendessem.
Contudo a verdadeira aula foi sobre cidadania, sentido de Estado e liberdade.
Um professor é sempre um professor e a vontade de transmitir conhecimento é inerente a qualquer condição.
David Justino mostrou humildade em vir a Oliveira de Azeméis falar com pais e professores, explicando a organização do sistema de ensino e o que se poderá esperar ( ou não) do sucesso escolar nos próximos anos, fruto das intervenções que têm vindo a ser realizadas.
Disse estar na política apenas e só com o sentido do dever para com a sociedade, ajudando com o que sabe, com o que estudou. Contou que o seu maior desejo, enquanto ministro, era o de voltar à escola e aos alunos.
Os políticos não devem ser profissionais da política; devem ser pessoas livres, com objectivos e projectos, claros,
para a melhoria das condições de vida das populações e devem ter um tempo e um espaço de actuação.
Referiu que, como todos na plateia sabiam, é militante do PSD e foi ministro de Durão Barroso; não trata mal ninguém mas não era por isso que iria estar calado sobre aquilo que ele pensa estar errado.
Por fim pediu às pessoas para analisarem o trabalho dos governantes e a forma como é gasto o erário público.
Perante pessoas com o currículo do Professor David Justino eu sinto-me pequeno porque tenho a noção que tenho muito a aprender.
E perante a análise que fiz à plateia tenho pena que não estivessem presentes mais professores, mais pais, alunos, e, sobretudo, proto-políticos, daqueles que dizem "ou estas 200% comigo ou estas contra mim". Certamente teriam muito a aprender, caso quisessem.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Os clássicos e nós

Os clássicos descrevem guerras entre Homens abençoados por deuses. Nessas guerras os Homens sofrem e morrem heroicamente, pelos deuses que os apadrinham, por amor, pelo povo. Com isso ficaram para a eternidade.
"Nós por cá", dos que se esperariam ser Homens, matam o povo, o amor, os deuses, em nome de si e da sua vacuidade. Felizmente deles, a história não escreverá mais do que uma linha.
 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

De um viajante habitual

Henrique Monteiro, no Expresso, explica, de forma simples, como é que os portugueses que compraram casa e carro e passaram férias em Cancun, afinal, não têm grande culpa da crise, excepto em terem votado em quem lhes prometia o céu terreno.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

De um café ao lado do nosso

" Estamos no reino dos middle men. A mediocridade dos que nos mandam, mais do que nos governam, é tal que tende a igualizar. Por baixo, claro."