Acabei agora de ver " A most wanted man". Já tinha lido o romance de Le Carré há alguns anos - dos poucos autores recentes que leio.
Filmar Le Carré é fácil: está tudo lá, desde a história, às personagens, passando pelas as sombras, ou os pormenores; tudo o que é necessário para se fazer um grande filme está escrito de forma minuciosa na sua fonte original. Não é preciso inventar nada. Depois de "Tinker tailor soldier spy", ou " The constant gardener, ou "The Russia house", mais uma vez, saiu um grande filme.
Tem alguns erros de produção, como o Mercedes de Günther ser velho de mais para 2001 ou o Mercedes de Tommy ser recente de mais para 2001, mas que não mancha em nada o que o autor quer transmitir. Antes pelo contrário: o Classe S dos anos 80 projecta Günther Bachmann para o passado que o persegue e o SL novinho em folha de Tommy Brue mostra a classe e a sofisticação de um banqueiro que se quer ver livre do passado escuro da sua família.
Há tudo isto e há interpretações fabulosas de Seymor Hoffman, Rachel McAdams e Willem Dafoe. Ter em papéis secundários actores como Daniel Brüh ou Nina Hoss, "A most wanted man" arrisca-se claramente aos Óscares.
Pode parecer triste a curto prazo mas completamente compreensível a médio/ longo prazo: sair na ribalta, sair na alegria, é a melhor coisa que nos pode acontecer. Foi o que se passou com Seymor Hoffman e, com mais esta brilhante interpretação - a juntar a tantas outras - vai ser para sempre recordado como um dos melhores actores de Hollywood.
Nota: o final não é feliz. É um final real, de um mundo real.
O café da estação é a junção de visões dispares sobre o quotidiano, que ora se aproximam ora se afastam. Certamente já viu um blogue que retrata a vida: o que vemos, sentimos, tocamos e cheiramos; o que nos move e comove; aquilo que nos apaixone ou nos revolta. Pode ser política, pode ser cinema ou um copo de vinho. No café da estação, fala-se de tudo!
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Hollywood entre nós
Sou fã de Dinis Machado e do seu (nosso?) fantástico "O que diz Molero".Não menos fã da sua vertente de gangster norte-americano, utilizando o pseudónimo Dennis Mcshade. Leitura fácil, cativante, sobre mafiosos e jogadas de poder.
De quem não sou especial adepto é do actor Mel Gibson: tem dois filmes bons - "Braveheart" e " We were soldiers" - e o resto é de uma banalidade mass media.
Contudo, há um filme em que Gibson é o protagonista que parece saído da máquina de escrever de Machado: Payback.
Café da Estação
Um café é um local de consumo: comidas e bebidas, rápido porque há mais fregueses; demorado porque é cliente da casa.As estações são pontos de encontro de: trabalhadores, turistas, vendedores de cautelas, larápios, tropas e namoradas.
O café-da-estação é onde toda esta gente se encontra, onde se lê o jornal entre um fino e um prato de tremoços, onde se dá duas de letra com um desconhecido sobre o resultado da bola ou a parangona do jornal, onde se trocam insultos dignos de vendedeira com a mão na cinta, onde se cruzam olhares dignos de óscares de Hollywood.
O nosso café-da-estação é a junção de visões dispares sobre o quotidiano, que ora se aproximam ora se afastam.
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