E se, no mesmo filme, tivermos Ralph Fiennes, Mathieu Amalric,Willem Dafoe, Harvey Keitel, Bill Murrey, Edward Norton e Jud Law?! Qualquer um deles capaz de se afigurar como actor principal mas que, aqui, vivem na sombra luminosa e cómica de um cada vez maior Ralph Fiennes.
Maravilhosos! Ainda mais numa história "nos Alpes", com cenários retirados de casinhas de brincar e pistas de comboios tão típicos daquelas bandas que o realizador quer que permaneçam imaginárias.
Grand Budapest Hotel, realizado por Wes Anderson, fala de amizade e dever; refere-se a algo tão em voga nos dias de hoje como “experiência de cliente” e que, afinal, é utilizada pelos gentleman: de nascença ( cada vez mais raro), pelos concierge ou os butler, desde o início da sua própria existência.
A cerimónia dos Óscares vai estar ao rubro tal a qualidade de alguns dos filmes que se colocam na primeira fila para vencerem os principais galardões.
O café da estação é a junção de visões dispares sobre o quotidiano, que ora se aproximam ora se afastam. Certamente já viu um blogue que retrata a vida: o que vemos, sentimos, tocamos e cheiramos; o que nos move e comove; aquilo que nos apaixone ou nos revolta. Pode ser política, pode ser cinema ou um copo de vinho. No café da estação, fala-se de tudo!
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
A most wanted man
Acabei agora de ver " A most wanted man". Já tinha lido o romance de Le Carré há alguns anos - dos poucos autores recentes que leio.
Filmar Le Carré é fácil: está tudo lá, desde a história, às personagens, passando pelas as sombras, ou os pormenores; tudo o que é necessário para se fazer um grande filme está escrito de forma minuciosa na sua fonte original. Não é preciso inventar nada. Depois de "Tinker tailor soldier spy", ou " The constant gardener, ou "The Russia house", mais uma vez, saiu um grande filme.
Tem alguns erros de produção, como o Mercedes de Günther ser velho de mais para 2001 ou o Mercedes de Tommy ser recente de mais para 2001, mas que não mancha em nada o que o autor quer transmitir. Antes pelo contrário: o Classe S dos anos 80 projecta Günther Bachmann para o passado que o persegue e o SL novinho em folha de Tommy Brue mostra a classe e a sofisticação de um banqueiro que se quer ver livre do passado escuro da sua família.
Há tudo isto e há interpretações fabulosas de Seymor Hoffman, Rachel McAdams e Willem Dafoe. Ter em papéis secundários actores como Daniel Brüh ou Nina Hoss, "A most wanted man" arrisca-se claramente aos Óscares.
Pode parecer triste a curto prazo mas completamente compreensível a médio/ longo prazo: sair na ribalta, sair na alegria, é a melhor coisa que nos pode acontecer. Foi o que se passou com Seymor Hoffman e, com mais esta brilhante interpretação - a juntar a tantas outras - vai ser para sempre recordado como um dos melhores actores de Hollywood.
Nota: o final não é feliz. É um final real, de um mundo real.
Filmar Le Carré é fácil: está tudo lá, desde a história, às personagens, passando pelas as sombras, ou os pormenores; tudo o que é necessário para se fazer um grande filme está escrito de forma minuciosa na sua fonte original. Não é preciso inventar nada. Depois de "Tinker tailor soldier spy", ou " The constant gardener, ou "The Russia house", mais uma vez, saiu um grande filme.
Tem alguns erros de produção, como o Mercedes de Günther ser velho de mais para 2001 ou o Mercedes de Tommy ser recente de mais para 2001, mas que não mancha em nada o que o autor quer transmitir. Antes pelo contrário: o Classe S dos anos 80 projecta Günther Bachmann para o passado que o persegue e o SL novinho em folha de Tommy Brue mostra a classe e a sofisticação de um banqueiro que se quer ver livre do passado escuro da sua família.
Há tudo isto e há interpretações fabulosas de Seymor Hoffman, Rachel McAdams e Willem Dafoe. Ter em papéis secundários actores como Daniel Brüh ou Nina Hoss, "A most wanted man" arrisca-se claramente aos Óscares.
Pode parecer triste a curto prazo mas completamente compreensível a médio/ longo prazo: sair na ribalta, sair na alegria, é a melhor coisa que nos pode acontecer. Foi o que se passou com Seymor Hoffman e, com mais esta brilhante interpretação - a juntar a tantas outras - vai ser para sempre recordado como um dos melhores actores de Hollywood.
Nota: o final não é feliz. É um final real, de um mundo real.
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