sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Uma aula com David Justino

Ontem, na Biblioteca Municipal Ferreira de Castro, assisti a uma aula dada pelo Professor David Justino.
O tema da conferência era a transferência de poderes do ministério para as autarquias, a descentralização da gestão das infraestruturas de ensino e a divisão de responsabilidades. Era um assunto técnico - para um leigo como eu - mas explicado de forma extremamente clara pelo ex-ministro, de modo a que todos compreendessem.
Contudo a verdadeira aula foi sobre cidadania, sentido de Estado e liberdade.
Um professor é sempre um professor e a vontade de transmitir conhecimento é inerente a qualquer condição.
David Justino mostrou humildade em vir a Oliveira de Azeméis falar com pais e professores, explicando a organização do sistema de ensino e o que se poderá esperar ( ou não) do sucesso escolar nos próximos anos, fruto das intervenções que têm vindo a ser realizadas.
Disse estar na política apenas e só com o sentido do dever para com a sociedade, ajudando com o que sabe, com o que estudou. Contou que o seu maior desejo, enquanto ministro, era o de voltar à escola e aos alunos.
Os políticos não devem ser profissionais da política; devem ser pessoas livres, com objectivos e projectos, claros,
para a melhoria das condições de vida das populações e devem ter um tempo e um espaço de actuação.
Referiu que, como todos na plateia sabiam, é militante do PSD e foi ministro de Durão Barroso; não trata mal ninguém mas não era por isso que iria estar calado sobre aquilo que ele pensa estar errado.
Por fim pediu às pessoas para analisarem o trabalho dos governantes e a forma como é gasto o erário público.
Perante pessoas com o currículo do Professor David Justino eu sinto-me pequeno porque tenho a noção que tenho muito a aprender.
E perante a análise que fiz à plateia tenho pena que não estivessem presentes mais professores, mais pais, alunos, e, sobretudo, proto-políticos, daqueles que dizem "ou estas 200% comigo ou estas contra mim". Certamente teriam muito a aprender, caso quisessem.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A ignorância era escudo; agora é arma.

Aos pobres de espírito está garantido o reinos dos céus. Pelos visto há muita gente que, por esta via, tenta entrar no paraíso.
Havia pessoas que se escudavam na sua ignorância para permanecerem caladas, para passarem despercebidas pelo meio da sociedade, na esperança que ninguém reparasse nelas e na sua falta de conhecimento.
Hoje eles gritam bem alto, em algo que se assemelha ao português, maravilhados com a sua própria
estupidez.
João Lemos Esteves é o último desta trupe a dar-se a conhecer: misturar futebol com política, com algum sentido, é algo apenas acessível a uma ínfima percentagem da população; e o senhor que escreve no SOL, não faz parte dela.
Lendo esta coisa, fico sem entender se ele percebe menos de futebol ou de política.
Eu, de futebol nada percebo.
Contudo, sei que o PCP e a Albânia têm muito pouco em comum: Mao e Estaline não combinam. Mas isso dava pano para mangas.
Para a próxima, já que Portugal vai jogar com a Sérvia, antiga província da Jugoslávia, aconselho a leitura do um livro " O um dividiu-se em dois", de José Pacheco Pereira.
Eu sei que João Lemos Esteves não gosta de se informar - a exemplo da trupe - e prefere escrever coisas "ao correr da pena" ou ao correr de um outro qualquer interesse; mas evitava uma série de erros colossais.
Aproveito a oportunidade que me deu para, já agora, o aconselhar a não utilizar em excesso os pontos de exclamação. Não dá o toque de humor que pretende, ao texto. Apenas e só o faz parecer um jovem imberbe e mal formado ou um marketeer de quinta categoria.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

"Uma proposta inteligente"

Henrique Monteiro sempre demonstrou ter uma grande dose de inteligência, sabedoria e sensatez; pena que o Senhor Primeiro Ministro não padeça das mesmas qualidades.
Ou então vai-nos pregar uma rasteira a todos.

domingo, 7 de setembro de 2014

Duas perguntas

A mim, que não sou jurista, gostaria que me esclarecessem em duas questões:

Porque é que o o corruptor tem uma pena (bastante) superior ao corrompido, quando é por acção dos dois, e só dos dois, que há corrupção?

O que poderia ter acontecido caso não fosse a gestão desastrosa de Noronha do Nascimento e Pinto Monteiro, e tivessem deixado os juízes do tribunal de Aveiro actuar? 

Nota: eu que tenho memória, lembro-me que actuais figuras gradas da direcção do PSD, aquando se levantaram suspeitas - e apenas isso! - sobre a licenciatura de Sócrates, o Freeport, os esquissos das casinhas, a tentativa de controlo sobre o Público, TVI e SOL, e as negociatas com Vara, disseram que eram  ataques pessoais sem jeito nenhum. Hoje pensam de forma diferente.     

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Renascer

O “O  Meu Pé de Laranja” foi, durante anos, o meu objecto, a minha ferramenta de interacção política com a minha comunidade, especialmente a comunidade web. Além disso serviu, também, de reportório de intervenções fora do ambiente web, como as crónicas no Política Queira Mais, Entre Aspas e discursos proferidos nas mais diversas ocasiões.
Foi criado numa altura em que Manuel Ferreira Leite era líder da Social Democracia em Portugal e contava, entre outros, com pessoas como Pacheco Pereira, Rui Rio ou Paulo Rangel na sua war room.
Foi criado, também, numa altura em que participei activamente na campanha de Hermínio Loureiro à Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, como membro não elegível da sua lista. Através do blog conseguiu dar a minha opinião sobre a cidade a comunidade e a campanha.
Posteriormente, por necessidade de retirar Sócrates do poder – embora, a meu ver, numa altura prejudicial para o PSD – e por amizade à Carla Rodrigues, o blog foi, também, activamente usado na campanha eleitoral de 2011.
Passados cinco anos, a realidade é bem diferente e, por isso, o  “ O Meu Pé de Laranja” não fazia qualquer sentido; associar “laranja” a um blogger que, apesar de militante do PSD, não se revê na postura da actual direcção partidária não me parecia, no mínimo, coerente.
Para o “Café da Estação”, nas últimas semanas, reli textos de autores que acompanhavam a realidade portuguesa. Pessoas que nunca foram socráticas e que sempre olharam com desconfiança para Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas e Marco António Costa. Deram o benefício da dúvida mas, infelizmente para os portugueses, o tempo dá-lhes razão.
Os homens do aparelho tomaram conta dos partidos e, com isso, do país: Passos Coelho, Seguro e Costa. A mesma escola, a mesma forma de agir a mesma dicotomia e relação com as empresas e a comunicação social. A imagem à frente da acção, como se a política pudesse ser uma agência de comunicação em torno do seu líder e não um conjunto de acções em prol da sociedade.
Ainda antes das eleições de 2011, Pacheco Pereira sobre as manifestações de 12 de Março escrevia “ (…) será que a manifestação de 12 de Março afasta do poder as personagens que hoje controlam os aparelhos partidários, controlam secções gigantes cacicadas, estão à frente de sindicatos de voto, e daí retiram poder nacional ou autárquico, controlam as lideranças e as escolhas de lugares, e que são corruptas como quem respira? A resposta é não. Algumas dessas personagens estão já muito contentes à espera do seu lugar de ministro e de secretário de Estado, e os favores que prestam às lideranças que eles próprios fabricam serão certamente pagos.”.
 Viu-se, em tempos, como estes agente actuavam no PSD. Vê-se, agora, como o fazem no PS.
Gladiam-se, insultam-se da pior espécie em nome de um líder. Isso é que está errado: deveria ser em nome de uma causa, de uma ideia. Esta gente insulta-se em nome de uma pessoa que, além do aspecto físico, nada tem de diferente em relação ao seu opositor.
Ouvindo António Barreto no TEDxLisboa, penso que descobrimos parte do problema da política portuguesa: não se discutem opiniões, discutem-se factos.
Os agentes políticos em Portugal passam grande parte do tempo a discutir se tal facto aconteceu ou não, se foi por culpa de A, B ou C, em vez de, dando o facto como consumado, emitirem a sua opinião sobre ele. Aqui se denota como, grande parte das vezes, por incompetência ou por puro oportunismo, políticos, pessoas com responsabilidades, “acham”, “supõem”, “instigam”, e outras afirmações que apenas são possíveis a quem não conhece os números e os factos.
Tal comportamento, por parte dos líderes e das equipas-chave dos principais partidos, demonstra bem como é que tais pessoas chegam ao poder: por conhecerem todos os meandros da hierarquia partidária; e o que fazem quando chegam ao poder: pouco ou mal porque não conhecem o país que existe fora do partido.
Felizmente, a meu ver, há esperança por duas razões. Uma porque “ um fanático esconde sempre uma dúvida secreta, sendo isso uma hipótese para o conseguirmos vencer”. Hoje quem apoia clamorosamente Passos Coelho já apoiou Luís Filipe Menezes, Santana, Durão. O mesmo se passa com quem apoia Costa, já apoiou Seguro, Sócrates, Ferro Rodrigues, Guterres.
Ou seja, os grupos de apoio são comutáveis e sofrem de influência por osmose.
A segunda razão por eu pensar que há esperança chama-se Rui Rio.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Estatística e alimentação

Cara Raquel Varela, o açúcar espanta outros males: as desilusões. Orwell oferece cerveja, gin e marmelada às suas personagens. Qual é a diferença?
Se analisar as estatísticas do INE com base na mediana, vai obter resultados diferentes e certamente mais reais, mostrando as tendências reais de consumo.